PREPARAR O DOMINGO TERCEIRO

26 DE JANEIRO DE 2014


Isaías 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4)

Assim como no tempo passado foi humilhada a terra de Zabulão e de Neftali, também no futuro será coberto de glória o caminho do mar, o Além do Jordão, a Galileia dos gentios. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.



O povo que andava nas trevas viu uma grande luz


O texto no seu contexto
. Isaías apresenta, neste texto, um oráculo de salvação com sabor messiânico. O autor dirige-se a uma terra que sofreu contínuas violências e humilhações; a última tinha sido a conquista do país pelo rei assírio Tiglatfalasar III, no ano 733. Esta terra, devastada e sempre posta em causa, recebe um anúncio de esperança. O povo de Israel era formado por dois grupos de tribos de «primeira categoria»: as do Norte, à volta de Siquém, que englobava as de Efraim, Manassés e Benjamim (o que se conhece como «Casa de José»); as tribos do Sul, à volta de Jerusalém e do Templo, que englobava as tribos de Judá, Simeão, Rúben e Levi (conhecida como «Casa de Judá»). As outras tribos também faziam parte de Israel, mas o seu protagonismo na história é escasso. Zabulão e Neftali são duas tribos que tinham ocupado a baixa Galileia, que na tradição bíblica é uma «terra de gentios». As próprias sabem que não são bem vistas pelas outras; são como «um povo que caminha nas trevas», pois não possuem grandes gestas, nem grandes profetas, nem grandes santuários. Contudo, Isaías pronuncia um oráculo que rompe com esta espécie de maldição: este povo recebe o anúncio de uma grande luz. Deixará de amaldiçoar a sua sorte, porque será protagonista da história da salvação de Deus.

O texto na história da salvação. A Igreja sempre leu de forma unitária a Sagrada Escritura, de tal maneira que não há contradição entre o Antigo e o Novo Testamento. A profecia que parece obscura em Isaías obtém a sua luz no evangelho. São Mateus escreve o evangelho a pensar nos judeus que olham com simpatia para Jesus, mas que fazem esta pergunta: a vida de Jesus foi anunciada nas Escrituras? O Deus dos seus pais não faz nada ao acaso: comunica-se na história; antecipa, através dos profetas, a sua vontade; anuncia as suas intervenções. O próprio Deus já tinha anunciado, através de Isaías, profeta de total garantia para um bom judeu, que a salvação viria da Galileia.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. O chamamento dos discípulos, que se lê no evangelho proposto para o terceiro domingo (Ano A), soa de outra maneira. Se no Antigo Testamento os chamamento era para o Reino do Norte e para o Reino do Sul, as casas de José e de Judá, agora Jesus irrompe na história para chamar uns galileus. Pode-se imaginar maior provocação? Jesus tem uma missão que supera os «clichés» para inaugurar uma nova forma de entender a relação com Deus. A salvação chega às terras que oficialmente não eram dignas de ser tidas em conta pelas pessoas religiosas. Os limites colocados pelos humanos não são os limites de Deus.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo terceiro (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.1.14 | Sem comentários
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