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Sacrosanctum Concilium — Constituição Conciliar sobre a Liturgia


A Constituição «Sacrosanctum Concilium» («Sagrado Concílio» [SC]), sobre a Sagrada Liturgia, foi o primeiro documento aprovado pela maioria dos bispos conciliares em 4 de dezembro de 1963.
Esta Constituição insere-se no espírito de renovação suscitado pelo Espírito Santo e, especialmente, na compreensão da Igreja como Povo de Deus, definida na Constituição Dogmática sobre a Igreja («Lumen Gentium»). O objetivo central da SC é reformar e incrementar a Liturgia para promover a participação e a santificação do povo tendo em vista a edificação do Corpo de Cristo (1-4).
Desde o início do século XX que uma reforma litúrgica estava a ser gerada na Igreja, especialmente na Bélgica e na França. Ficou conhecida como Movimento Litúrgico. Este Movimento cresceu a partir dos estudos bíblicos e patrísticos que possibilitaram aos teólogos refletirem sobre o caráter cristológico da Liturgia e sobre a necessidade da participação dos fiéis nas celebrações. O papa Pio XII, através da Encíclica «Mediator Dei» (20 de novembro de 1947), confirmou os passos dados pelo Movimento Litúrgico e, nesse mesmo ano, criou uma comissão para a reforma da Liturgia. Em 1951, foram introduzidas uma série de reformas que antecederam o Concílio, sendo que a principal delas, foi a Reforma da Vigília Pascal. O Concílio, então, propagou estas reformas e sugeriu que elas fossem implantadas em todas as dioceses.
A SC está dividida em sete capítulos: 
I – Os princípios Gerais da Reforma e do Incremento da Liturgia; 
II – O Sacrossanto Mistério da Eucaristia; 
III – Os outros Sacramentos e sacramentais; 
IV – O Ofício Divino; 
V – O Ano Litúrgico; 
VI – A Música Sacra; 
VII – A Arte Sacra e as Alfaias Litúrgicas. 

A Sagrada Liturgia

Este texto sobre «A Sagrada Liturgia» é fruto do estudo sobre os pontos I, III e IV do primeiro capítulo da SC: Princípios gerais em ordem à reforma e incremento da Liturgia.
O ponto I — Natureza da Sagrada Liturgia e sua importância na vida da Igreja (parágrafos 5-13) — indica que é através da celebração quotidiana dos Sagrados Mistérios da Vida, Morte e Ressurreição do Senhor que a Igreja atualiza a presença salvífica de Jesus Cristo e se revela, apesar das suas falhas, como um canal da Graça Santificadora aos que a procuram, ou seja, o favor de Deus que santifica o ser humano, a Sua presença na vida humana (5-6). Através da Liturgia, é o próprio Cristo que age e comunica os sinais sensíveis de Sua Graça. E é, mediante a proclamação da Palavra de Deus e do diálogo com a assembleia, através da participação na salmodia, nas orações, nos cânticos e por meio dos sacramentos, que os fiéis se unem a Cristo e antecipam a festa, que no céu nunca acaba (7-8). Além disso, através da Liturgia enfatiza-se a noção eclesiológica, ou seja, o vínculo com a Igreja, pois o Povo de Deus reunido em assembleia litúrgica é a própria Igreja, Corpo de Cristo! Eis porque se afirma que a Liturgia é o cume e a fonte de toda a ação pastoral.
O ponto III — Reforma da Sagrada Liturgia (parágrafos 21-40) — indica a necessidade de promover mudanças nas celebrações litúrgicas em função de uma preocupação pastoral e espiritual, pois deseja-se que os fiéis obtenham maiores benefícios das celebrações em que participam. O documento lembra que em todas as Celebrações Litúrgicas há partes fixas e partes que podem ser mudadas ou adaptadas, a fim de que os fiéis sejam beneficiados e aproveitem melhor o que se celebra. Além disso, algumas orientações foram elencadas para serem seguidas por todas as dioceses, a fim de garantir a unidade e a fidelidade ao Magistério Eclesial. Duas delas são consideradas mais importantes porque contribuíram de forma decisiva para a catequese biblico-litúrgica do povo:
1) Que a Bíblia tenha um lugar de destaque na Liturgia, e que a pregação (homilia) seja catequética e centrada no mistério de Cristo. Para isso o documento permitiu o uso da língua materna com o objetivo de facilitar a compreensão e participação nas Liturgias Dominical e Ferial, e incentivou à realização da Celebração da Palavra, sobretudo nas comunidades onde há carência de padres (35, 4).
2) Que o povo seja estimulado a participar ativamente da Liturgia através de sua voz e expressão corporal, bem como a guardar silêncio nos momentos em que seja necessário.
O ponto IV — Promoção da vida litúrgica na diocese e na paróquia (parágrafos 41-42) — indica que as dioceses devem promover a Pastoral Litúrgica nas paróquias e comunidades para que os Sagrados Mistérios sejam celebrados numa participação perfeita e ativa de todo o Povo santo de Deus, representando a Igreja visível, estabelecida em todo o mundo, especialmente aos domingos, no Dia do Senhor. O documento aprovou também a introdução de alguns elementos culturais nas Liturgias, a fim de torná-las mais expressivas para os diversos grupos que a celebram.
As reformas propostas pela SC vieram em boa hora, pois contribuíram para resgatar o senso de uma liturgia centrada na fé em Jesus Cristo, o Senhor da História. A centralidade bíblica e a liturgia catequética configuraram-se como o grande desafio à formação dos fiéis. Na perspetiva da Pastoral Litúrgica, houve um grande esforço para que a reforma proposta fosse levada por diante.
É certo que a Reforma Litúrgica fez um grande bem à Igreja, pois reconduziu à centralidade cristólogica e contribuiu para uma maior participação dos fiéis, inclusive na questão da inculturação. Esta inculturação tornou a Liturgia mais popular, especialmente na música, com a diversidade dos instrumentos e dos cânticos.

© Ambiente Virtual de Formação — www.ambientevirtual.org.br —
© Arquidiocese de Campinas, Brasil
© Adaptado por Laboratório da fé, 2014



Questões para reflexão

  • O que aprendeste sobre a natureza da Liturgia?
  • Por que a Liturgia é importante na vida da Igreja?
  • Das reformas sugeridas pela SC, na tua opinião, qual foi a mais importante?
  • Existe alguma alteração na vida da Igreja, conhecida através desta ficha, que a tua paróquia ainda não aplicou na totalidade? Se sim, como é que podes colaborar para que isso aconteça?

Partilha connosco a tua reflexão!


II Concílio do Vaticano, no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.1.14 | Sem comentários
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