A porta da fé [14]


Estamos a menos de duas semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1Coríntios 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Tiago 2, 14-18).
A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho. De facto, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mateus 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2Pedro 3, 13; cf. Apocalipse 21, 1).

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • O Ano da Fé é inseparável da intensificação do testemunho da caridade.
  • Ler os seguintes textos bíblicos: 1Coríntios 13 (hino da caridade); Tiago 2, 14-18.
  • A fé sem a caridade não dá fruto; a caridade sem a fé reduz-se a um simples humanismo (válido, em si mesmo, mas insuficiente para um cristão). A fé e o amor necessitam-se mutuamente. 
  • Há muitos cristãos que se dedicam com amor aos mais pobres e necessitados... Os pobres e os mais necessitados são, para nós, «rosto de Cristo». (Ler o texto bíblico de Mateus 25, 31-46). Disse João Paulo II: «Esta página não é um mero convite à caridade, mas uma página de cristologia que projeta um feixe de luz sobre o mistério de Cristo. Nesta página, não menos do que o faz com a vertente da ortodoxia, a Igreja mede a sua fidelidade de Esposa de Cristo» (Carta Apostólica no termo do Grande Jubileu — «Novo Millennio Ineunte», 49).
  • A partir da fé, olhamos com esperança para o nosso compromisso no mundo. Uma esperança «ativa». Não esperamos que «Deus transforme o mundo». Temos consciência de que «nos dá força para o transformarmos», fazendo dele «os novos céus e a nova terra, onde habite a justiça» (2Pedro 3, 13).

Interiorizando

  • Examino se tenho propensão para separar a fé da caridade. Estaria a deixar-me instalar na incoerência entre a fé e a vida. É uma tentação muito frequente e, muitas vezes, caímos nela. Essa incoerência converte-se, às vezes, em desprestígio da própria fé.

  • Tiro conclusões concretas para a minha vivência da fé a partir da leitura do Hino da Caridade (1Coríntios 13) e do texto de Tiago 2, 14-18. Posso encontrar outros textos na Primeira Carta de João.

  • Examino se a minha fé concreta é uma verdadeira fonte de entrega aos mais pobres e necessitados. Se acredito em Deus Pai, acredito que todos somos irmãos; reconheço que não vivemos como irmãos e proponho-me a caminhar no sentido de uma fraternidade próxima e comprometida com todos.

  • Examino a minha relação com Jesus, através da minha relação concreta com os necessitados, a partir da leitura serena de Mateus 25, 31-46.

  • A segurança nas promessas de Deus criam em mim passividade, à espera que seja Deus a fazer tudo? Entrego-me a uma esperança ativa? A esperança cristã é uma força para o compromisso; não é o pretexto para cruzar os braços, porque, como «tenho muita fé», Deus vai fazer tudo por mim.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.11.13 | Sem comentários
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