VIVER O DOMINGO: ao ritmo da liturgia


Vigésima sétima semana


A fé é uma (nova) forma de estar no mundo

O tema da fé é centralíssimo. E, provavelmente, temos de lhe dedicar uma profunda reflexão. Fizeram-nos crer que a fé é constituída por «conteúdos», principalmente de dogmas e tradições. Se acreditamos nessas «coisas» temos fé... se não, não.
A fé não é um conjunto de proposições em que temos de acreditar tenham ou não importância para a nossa maneira de viver. Se fosse apenas assim, seria fácil: que dificuldade haveria em acreditar em certas coisas que «não nos aquecem nem arrefecem»? Interferem alguma coisa na nossa maneira de viver?
Esta não é a fé referida por Jesus Cristo como capaz de mover montanhas! Acreditar (também o sabemos, embora sem lhe darmos a devida importância) é organizar a nossa vida (os dias, o trabalho, os descanso, as prioridades, os valores) segundo princípios — estes sim — fundamentais. A fé cristã é uma forma concreta de pensar, sentir, agir, viver. Como Jesus Cristo. Porque acreditamos (essa é a nossa fé) que é a forma mais divina que temos para ser humanos. O Evangelho não revela uma teologia, mas uma Pessoa e a sua forma de ser. A fé não são conceitos, mas um estilo de vida (à maneira de Jesus Cristo).
É certo que não se pretende excluir os conteúdos. Todos precisamos de convicções profundas que orientem os nossos comportamentos. Quem tem fé, por exemplo, não tratará os seus subalternos como se não a tivesse; o homem e a mulher de fé encaram de outra maneira o casamento e a família; o «crente» (cristão) termina cada um dos seus dias com uma avaliação da jornada segundo critérios diferentes dos «do mundo».
A fé é uma forma de vida, um modo existencial de estar no mundo. Tudo o resto pode fazer parte do património cultural da Igreja; mas não lhe podemos chamar «fé»...
Em Ano da Fé, o pedido dos apóstolos (DOMINGO: «Aumenta a nossa fé») vem mesmo a calhar! Querer que a fé «aumente» (cresça) implica confiar em Deus até às últimas consequências (SEGUNDA: Faz isso e viverás).
Sem a confiança, sem a sua renovação e recordação constantes, a fé pode debilitar-se sem que nunca nos tenha assaltado uma dúvida. Se não a cuidarmos, pode diluir-se pouco a pouco no nosso interior para ficar reduzida simplesmente a um hábito que não nos atrevemos a abandonar, pelo sim pelo não. Que podemos fazer? O melhor é fechar os olhos, fazer silêncio para acolher Deus e escutar (TERÇA: Uma só é necessária) o que tem para nos dizer; e, depois, responder-lhe (QUARTA: Ensina-nos a orar), livre e confiadamente.
Convém recordar que a fé não é uma coisa que se possui uma vez para sempre. É preciso pedi-la (QUINTA: Pedi e dar-se-vos-á ) todas os dias! A fé é um desejo, uma força (SEXTA: O reino de Deus chegou até vós) que nos ajuda a crescer em humanidade, a ir em frente na vida (SÁBADO: Felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática) tomando Jesus Cristo como mestre e companheiro.

Com que adjetivos posso definir a minha fé? Nesta semana, não esqueçamos de (continuar a) rezar como os apóstolos: «Aumenta a nossa fé». É bom repeti-lo com um coração simples. Reconhecer que estamos sempre a recomeçar, sempre desejosos de ver crescer em nós, e no outro, o que há de melhor. Deus entende-nos. Ele fará crescer a nossa fé!

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial e nos textos publicados neste «Laboratório da fé» a propósito do vigésimo sétimo domingo.

© Laboratório da fé, 2013

Vigésima sétima semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.10.13 | Sem comentários
0 comentários:
Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
  • Recentes
  • Arquivo
  • Comentários