Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

Li uma vez que, há muito tempo, viveu na China um menino chamado Ping que gostava muito de flores. Tudo o que semeava crescia como que por encanto. Um dia, o Imperador, que era muito velho, decidiu escolher o seu sucessor. Quem poderia ser? Como o escolheria? Decidiu que seriam as flores a escolher. No dia seguinte, saiu um edital: todas as crianças tinham de ir à grande praça para receber das mãos do Imperador sementes de flores. «Quem, no prazo de um ano, me mostrar o melhor resultado» — disse — «será o meu sucessor». Esta notícia causou um grande reboliço. Crianças de todos os lados compareceram para receber as respetivas sementes. Os pais queriam que o filho fosse escolhido como Imperador e as crianças sonhavam com essa possibilidade. Quando Ping recebeu as suas sementes sentiu-se a mais feliz de todas as crianças. Tinha a certeza de que seria capaz de cultivar as flores mais formosas. 
Ping tomou um vaso com terra e plantou a semente. Regava-o todos os dias. Passaram os dias mas não germinava nada no vaso. Ping estava muito triste. Então tomou um vaso ainda maior e colocou nele a melhor terra e plantou a semente. Esperou mais dois meses e nada se passou. Pouco a pouco passou-se o ano inteiro. Chegou a primavera e as crianças vestiram os mais belos trajes para agradar ao Imperador. Dirigiram-se à praça com as suas formosíssimas flores; cada criança esperava ser a escolhida. Ping sentiu-se envergonhado com o seu vaso vazio. Pensou que as outras crianças iriam fazer troça dele. Contudo, foi à praça. O Imperador observava detalhadamente todas as flores. Que flores tão belas! Mas o Imperador não dizia um palavra. Finalmente, aproximou-se de Ping, que baixou a cabeça cheio de vergonha pensando que iria ser castigado. O Imperador perguntou-lhe: «Porque trouxeste um vaso sem nada?». Ping começou a chorar e respondeu: «Plantei a semente que me deu, reguei-a todos os dias, mas não germinou. Depois, coloquei-a num vaso maior, pus-lhe a melhor terra e nem assim germinou. Esperei um ano inteiro mas não cresceu nada. Por isso, hoje vim aqui à sua presença com um recipiente vazio. Fiz o melhor que pude». 
Ao escutar estas palavras, o Imperador esboçou um sorriso e colocou a mão sobre o ombro de Ping. Depois, exclamou: «Encontrei-o! Encontrei a única pessoa digna de ser Imperador! Não sei onde foram buscar as sementes que vocês cultivaram. Porque as sementes que vos dei tinham sido queimadas. Era impossível, portanto, que pudessem germinar. Admiro Ping pela coragem em vir à minha presença com a sua vazia verdade. Assim, agora será premiado com o reino e nomeio-o meu sucessor.
Se formos sinceros reconhecemos que mais de noventa por cento das coisas que fazemos na nossa vida não tem outra finalidade senão o nosso próprio proveito. O egoísmo é tão subtil, que nos engana até nas nossas boas ações. Reclamamos, exigimos, solicitamos que nos tenham em conta de mil maneiras em cada dia... Passamos fatura pelas nossas boas obras. Queremos que reconheçam a nossa bondade. Fazemos tudo o que nos compete fazer e, isso, automaticamente, faz-nos merecedores de uma recompensa por parte de Deus. Poucas experiências são tão importantes para aprender o valor da gratuidade como a sementeira e a colheita. O agricultor que semeia a semente e recolhe a colheita sabe que foi responsável por certas condições externas que facilitam as coisas, mas também tem consciência de que o crescimento e o fruto é apenas obra e graça de Deus. Esta bela história recorda-nos que nós não somos donos do crescimento nem dos frutos e ter fé é fazer as coisas o melhor possível, para que Deus realize a sua obra de salvação através de nós.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o vigésimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.10.13 | Sem comentários
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