Mistério da fé! [4]


A assembleia é o sujeito da celebração litúrgica (cf. tema 3), da reunião festiva dos cristãos. Esta concretiza-se no tempo e no espaço: o onde e o quando, o lugar e o dia, são fundamentais para tornar real a celebração. «Quando celebrar?». Vamos procurar a resposta! [Para ajudar a compreender melhor, ler: Salmo 34 (33); Catecismo da Igreja Católica, números 1163 a 1178]

«Em todo o tempo, bendirei o Senhor; 

o seu louvor estará sempre na minha boca»

— canta o salmista, para deixar claro que todos os momentos são uma oportunidade para louvar, aclamar, bendizer, dar graças a Deus.

Liturgia: quando celebrar?

A resposta genérica é simples: sempre. «Em todo o tempo» («a toda a hora») se manifesta o «hoje» da ação de Deus. O cristão não pode condicionar a celebração da presença de Deus. Contudo, é possível assinalar o carácter (mais) solene de determinados dias ao longo do ano.

Domingo

«O dia do Senhor — como foi definido o domingo, desde os tempos apostólicos —, mereceu sempre, na história da Igreja, uma consideração privilegiada devido à sua estreita conexão com o próprio núcleo do mistério cristão. O domingo, de facto, recorda, no ritmo semanal do tempo, o dia da ressurreição de Cristo. É a Páscoa da semana, na qual se celebra a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, o cumprimento n’Ele da primeira criação e o início da ‘nova criação’. É o dia da evocação adorante e grata do primeiro dia do mundo e, ao mesmo tempo, da prefiguração, vivida na esperança, do ‘último dia’, quando Cristo vier na glória e renovar todas as coisas» (João Paulo II, Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» — «Dies Domini», 1). [A leitura na íntegra desta Carta Apostólica permite compreender melhor a centralidade do domingo]

Ano Litúrgico

«Depois de alguns anos — bastantes seguramente —, alguma das comunidades começou a celebrar, além do encontro dos domingos, um encontro anual especial, nos dias da Páscoa judaica, para recordar e comemorar, não já a libertação do Egito, mas a vida nova de Jesus. E assim terá nascido a Vigília Pascal, a primeira celebração do que hoje se chama Ano Litúrgico. Esta Vigília, que dura toda a noite, depressa será precedida por um jejum de dois dias, a sexta e o sábado, como preparação para a alegria da festa; e será a Eucaristia da Páscoa que marcará o final do jejum. Tempos depois, em Jerusalém, os cristãos começaram a reunir-se no lugar do Calvário para ler a Paixão e recordar os últimos momentos de Jesus, e assim nascerá a celebração da Sexta-feira Santa. Esta celebração cristã básica, que cada ano muda de dia, segundo o calendário lunar que os judeus seguiam (a Páscoa é no domingo seguinte à primeira lua cheia da primavera) dará lugar aos dois primeiros ‘tempos litúrgicos’: cinquenta dias que alongam a festa da Páscoa (o Tempo Pascal) e quarenta dias que a preparam (a Quaresma). Pelo meio, vão-se fixando também comemorações concretas: o Domingo de Ramos, a Quinta-feira Santa, a Ascensão, o Pentecostes. A partir do ano 300, começamos a ter notícia de outro grupo de celebrações: as que giram à volta do nascimento de Jesus. A primeira conhecida é uma festa, a 6 de janeiro, que celebra a manifestação do Filho de Deus, uma festa especialmente relevante no Oriente. No ano 354, aparece, num calendário elaborado pelo calígrafo Dionísio Filócalo, esta anotação: ‘25 de dezembro: Nascimento do Sol Invicto. Nasce Cristo em Belém de Judá’. Em 25 de dezembro, era a festa romana do nascimento do sol, quando o sol vence a obscuridade e os dias começam a crescer: neste dia, os cristãos começaram a celebrar o nascimento do Sol verdadeiro, Jesus. Um pouco depois, iniciaram também um tempo de preparação que, no século VI, ficou fixado em quatro domingos: o tempo do Advento» (Josep Lligadas, «Celebrar o Ano Litúrgico», ed. Paulinas, Lisboa 2001, 8-10).

Santos

«Celebrando a memória dos santos, em primeiro lugar da Santa Mãe de Deus, depois dos Apóstolos, dos mártires e dos outros santos, em dias fixos do ano litúrgico, a Igreja da terra manifesta a sua união à liturgia celeste; glorifica Cristo por ter realizado a salvação nos seus membros glorificados; o exemplo deles é para ela um estímulo no seu peregrinar para o Pai» (Catecismo da Igreja Católica, 1195).

Liturgia das Horas

O Catecismo da Igreja Católica chama-lhe «Ofício divino [...], a oração pública da Igreja» (1174), «destinada a tornar-se a oração de todo o povo de Deus» (1175). Divide-se em «sete horas»: Ofício de Leitura (madrugada); Laudes (início da manhã); Tércia (9h); Sexta (12h); Noa (15h); Vésperas (fim da tarde); Completas (noite).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.10.13 | Sem comentários
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