Mistério da fé! [1]


As palavras «liturgia» e «sacramento» fazem parte do (habitual) vocabulário religioso católico, nomeadamente no contexto da celebração comunitária da fé. No entanto, uma grande parte dos cristãos tem dificuldade em explicitar com clareza o sentido de cada uma destas expressões. O que é a liturgia? O que é um sacramento? Este ano pastoral — sob o lema «fé celebrada» — , durante quarenta e duas semanas, tendo por base o Catecismo da Igreja Católica, vamos explicar os conteúdos essenciais relacionados com as temáticas litúrgica e sacramental [Para ajudar a compreender melhor, ler: Mateus 18, 19-20; Catecismo da Igreja Católica, números 1066 a 1134]

«Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles»

— esta frase atribuída pelo evangelista Mateus a Jesus Cristo está interligada com o tema da oração do versículo anterior. Jesus Cristo garante a sua presença junto daqueles que, em oração, se reúnem em seu nome. Além disso, a expressão «no meio» também se pode aplicar à centralidade de Jesus Cristo na vida dos seus discípulos. Este texto bíblico «recorda-nos aquilo que somos: uma Igreja reunida em nome e à volta de Jesus. Vivemos a nossa adesão a Cristo em comunidade. E a nossa assembleia dominical torna visível um corpo, cuja cabeça é o próprio Cristo, pois é Ele que edifica a Igreja. Reunimo-nos, ‘dois ou três’, para fazer memória de Jesus, recordar as suas palavras e os seus gestos, acolhê-los com alegria e celebrá-los com fé» (Arquidiocese de Braga, «Programa Pastoral 2013+14: Fé Celebrada», Braga 2013, 11-12). 

No «Credo» (www.laboratoriodafe.net/estaeanossafe), a Igreja confessa a sua fé na Trindade de Deus (Pai, Filho, Espírito Santo). É a profissão de fé! Esta fé professada torna-se fé celebrada na Liturgia da Igreja. É a celebração da fé!

Liturgia: o que significa?

O termo «liturgia» tem origem no vocábulo grego «leitourgia», que é composto por duas palavras: «leitos» que significa «popular» (do povo) e «ergon» que significa «ação», «obra», trabalho». «Etimologicamente, a palavra ‘Liturgia’ significa ‘obra pública’, ‘serviço por parte de/e em favor do povo’» (Catecismo da Igreja Católica, 1069). Em sentido amplo e original, a liturgia designa qualquer tipo de serviço em favor do povo. Na Bíblia, nomeadamente com a tradução grega do Antigo Testamento — chamada a tradução dos «Setenta» — este termo surge aplicado ao serviço de culto, principalmente relacionado com o Templo de Jerusalém. O Novo Testamento mantém esta associação ao culto judaico no Templo, mas introduz uma nova aplicação: «chama-se ‘liturgo’ a Cristo, Sumo Sacerdote (sobretudo na Carta aos Hebreus, por ex., cf. Hebreus 8, 1-6), e também à ‘liturgia da vida’, como o ministério de um apóstolo (cf. Romanos 15,16), ou à caridade fraterna (cf. Romanos 15, 17; cf. Filipenses 1, 15)» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 167). [O «Dicionário Elementar de Liturgia» de José Aldazábal e a «Enciclopédia Católica Popular» de Manuel Franco Falcão são instrumentos úteis para compreender os termos e conceitos usados no vocabulário católico; estes dois livros, das edições Paulinas, também estão disponíveis na internet: http://bit.ly/1gmCMwf e http://bit.ly/1ffjHx1, respetivamente].

Liturgia cristã.

Curiosamente, o uso habitual da palavra «liturgia» no contexto católico é muito recente: remonta ao século XIX. Antes, eram mais comuns os termos «ofício», «sagrados ritos», «celebração», «ação». Nas Igrejas Orientais, está mais associada à Missa ou Eucaristia. Na Igreja latina (Ocidente), só aparece no século XVI; mas é no século XIX (nos documentos oficiais da Igreja só se vulgariza no século XX) que se usa o termo «liturgia» com o sentido atual. E qual é o sentido atual da palavra «liturgia» aplicada à Igreja Católica? «Com este nome se designam aquelas celebrações que a Igreja considera como suas e estão contidas nos seus livros oficiais, e se realizam pela comunidade e ministros assinalados para cada caso: assim, é ‘litúrgica’ a celebração da Eucaristia e dos demais sacramentos, a Liturgia das Horas, os sacramentais, etc. Enquanto que não o são, embora sejam muito dignas e louváveis, o Rosário, a Via-sacra e outras devoções pessoais e populares» (DEL). A Constituição do II Concílio do Vaticano sobre a Sagrada Liturgia («Sacrosanctum Concilium»), no número 10, apresenta-a como «a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força».

O Catecismo da Igreja Católica, depois da «Profissão da Fé», dedica a segunda parte à «Celebração do Mistério Cristão» (1066-1690). Aqui apresenta-se a liturgia como obra da Trindade e obra da comunidade cristã.






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.10.13 | Sem comentários
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