PREPARAR O DOMINGOvigésimo terceiro domingo


Três condições

— «De quem gostas mais: do papá ou da mamã?» — perguntava a tia anciã, reclinada sobre a sua sobrinha pequena, de apenas três anos, que de baixo olhava com olhos assustados... e diante do silêncio expectante não teve outro remédio senão responder: — «Dos dois». Escutando os sorrisos de aprovação dos pais, da tia e dos outros participantes na cena, satisfeitos com a saída airosa da menina.
A mesma sensação podemos ter após a proclamação da Palavra de Deus, no vigésimo terceiro domingo (Ano C). Parece que Jesus nos quer encostar à parede, para nos perguntar se amamos mais aos nossos pais do que a Ele, aos nossos filhos do que a Deus... e, habilmente, podemos justificar que os nossos atos de amor aos nossos pais ou filhos já são a nossa maneira de demonstrar a Deus que o amamos. Mas todos sabemos que a nossa vida de cristãos na realidade é uma vida de opções.
Ouvimos falar muitas vezes das famosas «escala de valores». De acordo com o que é mais ou menos importante, vamos tomando decisões ao longo da vida. Assim, perante qualquer encruzilhada, por mais ou menos determinante que seja, paramos para pensar: que faço: isto ou aquilo? E, em função daquilo a que damos mais valor e maior importância, optamos. Do ponto de vista cristão, diria que acontece o mesmo. O cristão perante cada tomada de decisão pensa: o que é o mais importante? O que é que Deus me pede para fazer agora? O que faria Jesus no meu lugar? E, então, opta, atua, depois de avaliar. Hoje, Jesus recorda-nos que em cada opção, é preciso recordar três coisas e não agir sem pensar:
1. Ser cristão implica amar a Deus sobre todas as coisas. Por isso, o amor aos outros nunca pode ser uma desculpa para optar por fazer o contrário daquilo que Deus espera. Mesmo quando os próprios pais ou os próprios filhos, esses seres tão amados, tão em cima na nossa escala de valores, nos levem a pensar que temos de dizer não a Deus ou a afastarmo-nos dele.
2. Ser cristão é estar disposto a tomar (carregar) a cruz. Ou seja: a dar a vida... até, se for preciso, literalmente falando. Tomar a cruz de cada dia. Tomar também a cruz dos outros, como fez Simão de Cirene com a de Jesus, para aliviar a carga de quem sofre.
3. Ser cristão implica a renúncia aos bens. Ou seja: pô-los muito abaixo na nossa escala de valores, ou até, tirá-los da escala. O que temos não pode ser considerado «próprio», já não é «meu», é um mero instrumento para poder ser mais útil na construção reino.

... e um único benefício

Bom, tendo isto bem claro, podemos dizer o mesmo que Pedro disse uma vez a Jesus: «Mestre, nós deixamos tudo para te seguir. Que recompensa teremos?». Podemo-nos sentir cansados; ou pensar que é melhor ser do grupo da cristandade que vai à missa e se confessa praticante, mas a sua vida muda muito pouco... Que vamos receber? Não é melhor viver de uma maneira um pouco mais relaxada e ter menos problemas? No fundo, há um único benefício de tudo isto. É o que apresenta Jesus: é o que deveis fazer para ser «dos meus»; para ser do grupo dos que trabalham pelo Reino, por um mundo melhor, mais à imagem de Deus. O único benefício é saber que respondemos com amor «real» e não só verbal, ao que Ele espera de nós e à confiança que deposita em nós.

© Juan Jauregui Castelo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o vigésimo terceiro domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.9.13 | Sem comentários
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