Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

Uma amiga religiosa escreve, de vez em quando, as suas experiências espirituais em forma de poema. Há alguns meses enviou-me estes versos, que, pelo que me parece, podem-nos ajudar a entender o que se apresenta no evangelho do vigésimo terceiro domingo (Ano C):

Quero descer de novo à tua adega,
para te dar o meu amor, ser toda entrega
e embriagar-me de tu, pois são melhores
e mais suaves que o vinho os teus amores.

Não aproximarei os lábios de outra fonte
para saciar a minha sede, minha sede ardente
nem voltarei a beber outros licores
senão o vinho embriagante dos teus amores.

Vê que venho como corsa ferida
vê que me entrego a Ti, que estou rendida
e sacia a minha sede, pois são melhores
que o mais saboroso vinho os teus amores.

«Seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: 'Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo'». Jesus dirige estas palavras à gente que o seguia. Não se trata de uma alternativa incompatível. Não nos pede que deixemos de amar as pessoas que estão mais próximas do nosso coração. Essas pessoas podem e devem permanecer no centro das nossas vidas. O que nos pede o Senhor é que o nosso amor para com elas não esteja acima do amor que sentimos por Ele e pelo seu reino. Não pode haver nada nem ninguém que distraia o caminho do seguimento.
As duas comparações apresentadas a seguir mostram situações humanas muito concretas. Não podemos começar a construir uma torre se não temos clara a possibilidade de a terminar. Por outro lado, nenhum líder militar se envolve numa guerra se não pensa que pode chegar a vencer o seu inimigo com as forças que tem. Se não lhe pode fazer frente, tratará de estabelecer as condições de paz quando o outro grupo está ainda longe e nem se deu início à batalha. «Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo» — é o que conclui o Senhor, depois de apresentar estes dois exemplos.
Poderíamos acrescentar que a pessoa que provou o bom vinho já não se poderá contentar com outra bebida. Assim é o seguimento do Senhor. Quando nos encontramos autenticamente com ele, reconhecemos que já não podemos saciar a nossa sede noutras fontes, nem haverá outros licores que substituam o vinho embriagante dos seus amores.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o vigésimo terceiro domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.9.13 | Sem comentários
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