A porta da fé [6]


Estamos a dez semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de facto, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou. O próprio Concílio, na Constituição dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», afirma: «Enquanto Cristo 'santo, inocente, imaculado' (Hebreus 7, 26), não conheceu o pecado (cf. 2Coríntios 5, 21), mas veio apenas expiar os pecados do povo (cf. Hebreus 2, 17), a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação. A Igreja 'prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus', anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cf. 1Coríntios 11, 26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz» [11].
Nesta perspetiva, o Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. No mistério da sua morte e ressurreição, Deus revelou plenamente o Amor que salva e chama os humanos à conversão de vida por meio da remissão dos pecados (cf. Atos dos Apóstolos 5, 31). Para o apóstolo Paulo, este amor introduz o homem numa vida nova: «Pelo Batismo fomos sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova» (Romanos 6, 4). Em virtude da fé, esta vida nova plasma toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição. Na medida da sua livre disponibilidade, os pensamentos e os afetos, a mentalidade e o comportamento do ser humano vão sendo pouco a pouco purificados e transformados, ao longo de um itinerário jamais completamente terminado nesta vida. A «fé, que atua pelo amor» (Gálatas 5, 6), torna-se um novo critério de entendimento e de ação, que muda toda a vida do ser humano (cf. Romanos 12, 2; Colossenses 3, 9-10; Efésios 4, 20-29; 2Coríntios 5, 17).

[11] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 8

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • Este número orienta-se muito claramente para a «conversão pastoral», a renovação da Igreja, que se fundamenta no testemunho oferecido pela vida dos crentes (conversão pessoal).
  • A Igreja é santa, mas também sempre necessitada de purificação, pelo que procura sempre a sua conversão e renovação...
  • A Igreja, enquanto peregrina, dá a conhecer Jesus, às vezes, entre sombras, mas com a fidelidade que conduz à plena manifestação da luz.
  • O Ano da Fé converte-se, assim, num «convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo».
  • O amor salvador que recebemos conduz-nos a uma vida nova, plasmada na ressurreição. Mas, até chegar à ressurreição, vai progressivamente transformando e renovando os pensamentos, os afetos, a mentalidade e os comportamentos do ser humano.
  • A «fé, que atua pelo amor» converte-se num novo critério de pensamento e de ação, que muda toda a vida do ser humano.

Interiorizando

  • Examino a minha disponibilidade concreta para a conversão, tanto pessoal como pastoral. Com a graça de Cristo, opto pela mudança de tudo aquilo que, pessoalmente, me afasta dele e dos irmãos; e pela mudança dos «modelos pastorais» que não provocam a adesão à fé em Jesus. Todos precisamos de uma conversão pessoal e pastoral, que implica uma escuta atenta e o discernimento daquilo que o Espírito diz às Igrejas, através dos sinais dos tempos. Se a Igreja, que é santa, necessita de purificação constante, quando mais a minha paróquia ou movimento! Pertencemos a uma Igreja peregrina e, com ela, fazemos caminho; ainda não chegamos à meta.

  • Examino se estou a viver o Ano da Fé apenas a pensar nas «verdades a estudar» ou também na conversão da vida pessoal e pastoral. A mudança desafiada pela fé é profunda: um novo critério de pensamento e de ação. É aí que se encontra a coerência entre a fé e a vida. Acreditar é um «ato unitário»: não posso acreditar por um lado e viver ao contrário. Não podemos ter dois níveis na construção da nossa vida: um nível para viver (como todos os outros) e outro nível para acreditar.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.9.13 | Sem comentários
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