A porta da fé [5]


Estamos a onze semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Sob alguns aspectos, o meu venerado Predecessor viu este Ano como uma «consequência e exigência pós-conciliar» [8], bem ciente das graves dificuldades daquele tempo sobretudo no que se referia à profissão da verdadeira fé e da sua recta interpretação. Pareceu-me que fazer coincidir o início do Ano da Fé com o cinquentenário da abertura do II Concílio do Vaticano poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos Padres Conciliares, segundo as palavras do Beato João Paulo II, «não perdem o seu valor nem a sua beleza. É necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja. Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa» [9]. Quero aqui repetir com veemência as palavras que disse a propósito do Concílio poucos meses depois da minha eleição para Sucessor de Pedro: «Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja» [10].

[8] Paulo VI, Audiência Geral (14 de Junho de 1967): Insegnamenti, V (1967), 801
[9] João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 57: AAS 93 (2001), 308
[10] Discurso à Cúria Romana (22 de Dezembro de 2005): AAS 98 (2006), 52


A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • Acontecimento central para o Ano da Fé: os 50 anos da abertura do Concílio.
  • Afirmações de João Paulo II sobre o Concílio: os textos conciliares não perderam o seu valor nem o seu esplendor; necessidade de os ler de forma apropriada, para que sejam conhecidos e assimilados; o Concílio é a grande graça que beneficiou a Igreja do século XX; o Concílio é uma bússola para nos orientar no caminho do século XXI.
  • Afirmações de Bento XVI sobre o Concílio: precisamos de ler e acolher os textos a partir de uma correta interpretação; cumprida essa condição, pode e deve chegar a ser uma grande força de renovação da Igreja, sempre necessária.
  • Não podemos recordar o Concílio, sem a convicção de que a Igreja tem de estar sempre em permanente reforma («conversão pastoral»).

Interiorizando

  • A minha postura em relação ao II Concílio do Vaticano: considero-o como um acontecimento do passado ou como um acontecimento vivo e ainda atual? Sou dos que digo: «o Concílio já passou, graças a Deus»? Sinto necessidade de retomar a leitura dos textos conciliares e de renovar a minha receção do Concílio? Tenho de começar por me perguntar: eu, cristão do século XXI, já fiz alguma vez uma leitura cuidada dos textos do II Concílio do Vaticano?

  • Aconteceram leituras incorretas do Concílio; mas «o abuso não anula o uso». As leituras não corretas levam-me à recusa prática do Concílio? Posso sempre ler e aplicar os texto a partir de uma «interpretação correta». O facto de alguns lerem e aplicarem os textos conciliares incorretamente não é razão para dizer: «o Concílio já não serve».

  • No que diz respeito à «interpretação do Concílio», faço o que me apetece ou procuro estar em sintonia com a transmissão viva da Igreja? As coisas que, na Igreja, fazemos «por nossa conta e risco» não contribuem para uma bela experiência de comunhão eclesial.

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.9.13 | Sem comentários
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