Carta encíclica sobre a fé [34]


A luz do amor, própria da fé, pode iluminar as perguntas do nosso tempo acerca da verdade. Muitas vezes, hoje, a verdade é reduzida a autenticidade subjetiva do indivíduo, válida apenas para a vida individual. Uma verdade comum mete-nos medo, porque a identificamos — como dissemos atrás — com a imposição intransigente dos totalitarismos; mas, se ela é a verdade do amor, se é a verdade que se mostra no encontro pessoal com o Outro e com os outros, então fica livre da reclusão no indivíduo e pode fazer parte do bem comum. Sendo a verdade de um amor, não é verdade que se impõe pela violência, não é verdade que esmaga o indivíduo; nascendo do amor pode chegar ao coração, ao centro pessoal de cada humano; daqui resulta claramente que a fé não é intransigente, mas cresce na convivência que respeita o outro. O crente não é arrogante; pelo contrário, a verdade torna-o humilde, sabendo que, mais do que possuirmo-la nós, é ela que nos abraça e possui. Longe de nos endurecer, a segurança da fé põe-nos a caminho e torna possível o testemunho e o diálogo com todos.
Por outro lado, enquanto unida à verdade do amor, a luz da fé não é alheia ao mundo material, porque o amor vive-se sempre com corpo e alma; a luz da fé é luz encarnada, que dimana da vida luminosa de Jesus. A fé ilumina também a matéria, confia na sua ordem, sabe que nela se abre um caminho cada vez mais amplo de harmonia e compreensão. Deste modo, o olhar da ciência tira benefício da fé: esta convida o cientista a permanecer aberto à realidade, em toda a sua riqueza inesgotável. A fé desperta o sentido crítico, enquanto impede a pesquisa de se deter, satisfeita, nas suas fórmulas e ajuda-a a compreender que a natureza sempre as ultrapassa. Convidando a maravilhar-se diante do mistério da criação, a fé alarga os horizontes da razão para iluminar melhor o mundo que se abre aos estudos da ciência.

A luz da fé [Carta Encíclica sobre a fé - «Lumen Fidei»]
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  • A luz da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



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  • A luz do amor, própria da fé, pode iluminar as perguntas do nosso tempo
  • Hoje, a verdade é válida apenas para a vida individual
  • Uma verdade comum mete medo (por causa dos totalitarismos)
  • A verdade do amor está da reclusão ao indivíduo
  • A verdade do amor pode fazer parte do bem comum
  • A verdade do amor não se impõe pela violência
  • A verdade do amor não esmaga o indivíduo
  • A verdade do amor pode chegar ao coração
  • A verdade do amor pode chegar ao centro pessoal do ser humano
  • A fé cresce na convivência que respeita o outro
  • O crente não é arrogante
  • A verdade torna o crente humilde
  • A segurança da fé põe-nos a caminho
  • A segurança da fé torna possível o testemunho 
  • A segurança da fé torna possível o diálogo com todos
  • A luz da fé não está alheia do mundo material
  • A luz da fé é luz encarnada
  • A luz da fé dimana da vida luminosa de Jesus Cristo
  • O olhar da ciência tira benefício da fé
  • A fé desperta o sentido crítico
  • A fé alarga os horizontes da razão para iluminar melhor o mundo
  • A luz do amor, própria da fé, ilumina as questões do nosso tempo?
  • Porque é que o ser humano atual tem medo da verdade?
  • O que é a verdade do amor?
  • A verdade torna o crente humilde?
  • Em que sentido é que a luz da fé é luz encarnada?
  • Que relação pode existir entre ciência e fé?
© Laboratório da fé, 2013

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Papa Francisco, Carta Encíclica sobre a fé (Lumen Fidei — A luz da fé)
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.9.13 | Sem comentários
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