Nihil Obstat — blogue de Martín Gelabert Ballester

Jesus, no seu último discurso, nas palavras de despedida, relaciona o mandamento novo do amor entre os irmãos com a paz e a alegria. Jesus vai, mas os discípulos não podem estar tristes (João 16, 20-22). Mas a alegria que Jesus propõe não é como a do mundo. É uma alegria que brota do acolhimento do amor que Deus nos tem e do amor que transmitimos aos irmãos. Não se pode confundir com o prazer que centra tudo em si mesmo e quer tudo para si. Não nasce da busca egoísta do bem-estar próprio, mas do gozo que produz a contemplação gratuita e sem inveja do bem dos outros. Só quem trabalha pelo bem dos outros é que trabalha pela sua própria felicidade.
A fé, pela qual o crente se une a Cristo, aderindo incondicionalmente à sua pessoa e mensagem, é uma estupenda notícia que produz uma grande alegria. A grande alegria que os anjos anunciaram em Belém aos pastores. Quando o Salvador nasce — e nasce sempre que uma pessoa o acolhe na fé —, produz-se uma grande alegria para todo o povo. Ora, como há estados de ânimo que são contagiosos, também os mensageiros do Evangelho, quando veem os frutos produzidos pela pregação, enchem-se de alegria. Assim se explica que, quando Barnabé se apercebeu da ação da graça de Deus em Antioquia, pela qual «uma multidão considerável aderiu ao Senhor», «alegrou-se muito por isso» (Atos 11, 23-24).
Se a vida cristã é uma vida triste, se o anúncio do Evangelho é uma coisa séria, algo está mal nesta vida e no anúncio. Neste sentido, o gozo e a alegria, resultado da atuação do Senhor nas nossas vidas, pode ser um bom barómetro para medir o grau de acolhimento do Espírito Santo e a qualidade do nosso testemunho. O cristão tem de afastar de si toda a amargura (Efésios 4, 31), para acolher «o fruto do Espírito: amor, alegria, paz» (Gálatas 5, 22).

© Martín Gelabert Ballester, OP

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



Nihil obstat - www.laboratoriodafe.net
Martín Gelabert Ballester, frade dominicano, nasceu em Manacor (Ilhas Baleares) e reside em Valencia (Espanha). É autor do blogue «Nihil Obstat» (em espanhol), que trata de questões religiosas, teológicas e eclesiais. Pretende ser um espaço de reflexão e diálogo. O autor dedica o seu tempo à pregação e ao ensino da teologia, especialmente antropologia teológica e teologia fundamental. 
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.9.13 | Sem comentários
0 comentários:
Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
  • Recentes
  • Arquivo
  • Comentários