PREPARAR O DOMINGOvigésimo segundo domingo


No domingo anterior (vigésimo primeiro), o evangelho terminava com uma frase enigmática, que dizia: «os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos». Neste vigésimo segundo domingo, vemos esta afirmação numa situação prática. A cena descrita por Lucas refere uma refeição ao sábado, na casa de um fariseu. É uma refeição carregada de tensão: todos se observavam mutuamente. Diz que os fariseus estavam de olhos postos em Jesus, mas também que Jesus observava tudo o que acontecia e o que eles faziam. O que vê Jesus? Pois, muito simples: a procura dos primeiros lugares. Isto é o motivo para um ensinamento prático de Jesus, que mais parece extraído das páginas de um manual de «normas de boa educação» ou de «urbanidade» e não das páginas do Evangelho. Mas isto também é importante para nós, não se dê o caso de ao querer seguir o Evangelho possamos perder as regras elementares da boa educação!
Jesus aconselha os seus ouvintes a não procurarem os primeiros lugares, para evitar que possam ser recolocados mais abaixo. Como exemplo, dá um banquete nupcial. Este ensinamento prático de Jesus, onde situa os convidados, é motivo para um novo ensinamento: «Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Isto sim é doutrina evangélica!

Os circuitos fechados das amizades

A segunda parte do evangelho é uma reflexão, na mesma linha, dirigida ao anfitrião daquela refeição. O tema trata da amizade e do desejo, sempre dominante, de ser recompensados em tudo o que fazemos pelos outros. Todos sabemos que é um jogo perigoso, mas o nosso coração não se cansa de procurar sempre as contrapartidas a tudo que fazemos pelos outros. Quantas vezes não temos ouvido dizer ou nós mesmos já o dissemos: «Depois de tudo o que fiz por ele, vê como me paga!». A autêntica amizade, tal como a descreve Jesus, não pode ser a de um circuito fechado onde recebemos tanto como damos. A amizade deve ser um circuito aberto a todos, generoso e indiscriminado, onde fazemos o que devemos. Sem esperar nada em troca.
Não estaria nada mal aproveitar este domingo para fazer uma reflexão pessoal (individual) sobre como é a nossa amizade. Quais são as minhas amizades? Com quem quero fazer amizade? O que faço pelos meus amigos? Espero coisas em troca? Tudo o que faço é com a esperança de que me seja devolvido?

Fazer exercícios práticos

No evangelho, Jesus convida-nos a fazer pequenos exercícios práticos na linha do altruísmo. Fazer coisas sem esperar nada em troca. Isto pode-se fazer em ações destinadas aos que nunca poderão devolver o que fazemos por eles. Jesus cita os casos típicos daquele tempo: «os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos». Hoje em dia podemos fazer outra lista: marginalizados, imigrantes, sem abrigo, mendigos, desempregados, despejados, reformados... e os grupos daqueles que precisam de alimentos ou de roupas. Não ficaria mal, nalgum dia, acompanhar uma pessoa até aos serviços da Segurança Social. Na sala de espera, teríamos oportunidade de ver todos estes que são enunciados no evangelho. Para ver que estas normas de conduta não são originais de Jesus, mas que já existiam no Antigo Testamento, a primeira leitura deste (vigésimo segundo) domingo, do Ben-Sirá (Eclesiástico), a partir da mais pura sabedoria popular, também recorda que é bom ser humilde ou fazer-se pequeno. Aí encontramos um pequena regra de ouro: «Em todas as tuas obras procede com humildade». É um provérbio muito bom. E que todos, nas nossas pequenas ou grandes situações de poder, a podemos aplicar: como pais, como profissionais, como catequistas, como presbíteros...

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o vigésimo segundo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.8.13 | Sem comentários
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