A porta da fé [3]


Estamos a treze semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf. Mateus 5, 13-16). Também o ser humano contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf. João 4, 14). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. João 6, 51). De facto, nos nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, este ensinamento de Jesus: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (João 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam, é a mesma que colocamos nós também hoje: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» (João 6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: «A obra de Deus é esta: acreditar n’Aquele que Ele enviou» (João 6, 29). Por isso, acreditar em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação.

A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • A força testemunhal das imagens de Jesus: o sal e a luz. São duas imagens missionárias e muito estimulantes. Se o sal perde o sabor, já o sabemos: a comida fica insossa; se a luz se apaga, vivemos nas trevas. A nossa fé tem que «dar ao mundo o sabor de Cristo» e tem que ser uma verdadeira iluminação de toda a da nossa vida. As curas dos cegos por parte de Jesus ensinam-nos que é necessária a «iluminação» de toda a nossa vida. Não podem existir «espaços escuros», de costas voltadas para o Evangelho.
  • A necessidade de responder com a evangelização aos desejos mais íntimos e mais profundos das pessoas. A evangelização, quando é verdadeira, não é um «acrescento» externo, como quem tem um guarda-sol que usa ou não conforme convém. A evangelização tem de tocar os problemas e aspirações mais íntimos da pessoa. Diz Paulo VI, na Exortação Apostólica sobre a evangelização no mundo contemporâneo — «Evangelii Nuntiandi»: a evangelização tem de «chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade» (19). E acrescenta: «importa evangelizar, não de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade e isto até às suas raízes, a civilização e as culturas humanas» (20).
  • Os dois grandes alimentos da vida do crente: a Palavra e a Eucaristia. A «mesa da Palavra» e a «mesa da Eucaristia» estão sempre presentes na celebração da Missa. Contudo, muitas vezes, acontece que somos ouvintes «esquecidos». Expressa-o muito bem a Carta de São Tiago: «Quem se contenta com ouvir a palavra, sem a pôr em prática, assemelha-se a alguém que contempla a sua fisionomia num espelho; mal acaba de se contemplar, sai dali e esquece-se de como era» (1, 23-24). E a Eucaristia tem de ser celebrada com autenticidade, não como uma simples obrigação. Escutamos São Paulo: «todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. [...] Aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação» (1Coríntos 11, 27-29).
  • A Eucaristia como «impulso para a missão» («trabalhai pelo alimento que perdura»). O impulso missionário da Eucaristia está muito bem expresso no evangelho segundo João como dádiva para a vida do mundo: «O pão que eu hei de dar pela vida do mundo é a minha carne» (João 6, 51).

Interiorizando

  • Examino se, com o meu testemunho, estou a ser sal e luz. Ou tenho a fé tão apagada que nem salga nem alumia...  quase como se não a tivesse. Afinal, em nada se nota o facto de ser crente. Sou como as outras pessoas, até mesmo como as não crentes, na minha maneira de pensar, nos meus juízos, nos interesses que movem a minha vida...

  • Examino se a minha fé chega a tudo o que sou e faço, de tal maneira que desperta nos outros o desejo de, pelo mesmo caminho, encontrar resposta para as interrogações humanas que são comuns a todos. Para isso, tenho que estar muito próximo das pessoas. Não partilho a minha fé com os anjos, mas com as pessoas que são companheiras no caminho da vida

  • Examino a minha relação com a Palavra e a Eucaristia: rotina, convicção, fazer por fazer, escutar por escutar, encontro real, «cumplicidade com o Senhor»... Não podemos ficar com a afirmação: «temos a Palavra e a Eucaristia». Temos de perguntar: o que significa, nas nossas vidas, escutar a Palavra e celebrar a Eucaristia? São realidades transformadoras ou ficamos sempre na mesma como estávamos?

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.8.13 | Sem comentários
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