Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

Ouvir contar esta história que nos pode servir de contexto para o evangelho do vigésimo segundo domingo (Ano C): «Caminhava com o meu pai, quando ele parou numa curva; depois de um momento de silêncio, perguntou-me: Além do cantar dos pássaros, ouves mais alguma coisa? Afinei os ouvidos e alguns segundos depois respondi-lhe: Ouço o ruído de uma carroça. É isso — disse o meu pai. É uma carroça vazia. Perguntei-lhe: como é que sabes que é uma carroça vazia se nem sequer a vemos? Então, o meu pai respondeu: É muito fácil saber quando uma carroça está vazia, por causa do ruído. Quanto mais vazia a carroça, maior é o ruído que faz. Tornei-me adulto e ainda hoje quando vejo um pessoa a falar demasiado, interrompendo a conversação de todos, sendo inoportuna ou violenta, presunçosa sobre os seus conhecimentos, sentindo-se prepotente e desvalorizando os outros, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai a dizer: 'Quanto mais vazia a carroça, maior é o ruído que faz'. A humildade consiste em calar as nossas próprias virtudes, para permitir que os outros as descubram por si mesmos».
Jesus foi comer muitas vezes com gente importante; Ele não passava a vida metido entre quatro paredes com medo de se contaminar com o mundo que o rodeava. Veio anunciar a este mundo uma Boa Notícia e não podia fazê-lo fechado em quatro paredes. Quando estava em casa de um dos principais fariseus, outros fariseus estavam a espiá-lo para ter com que o acusar. Jesus ao ver «como os convidados escolhiam os primeiros lugares», deu-lhes este conselho: «Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».
Além deste ensinamento tão útil e concreto para a nossa vida, o Senhor acrescentou outro para o quem o tinha convidado nesse dia: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos».
Num retiro em que participei com Jean Vanier, no Porto, no norte de Portugal, ouvi-o dizer que uma vez tinha lido este texto com um grupo de empresários do Primeiro Mundo. A reação que produziu foi de protesto e descontentamento. Mas também contou que tinha lido este texto com um grupo de pedintes de um país pobre. A reação foi de alegria e de júbilo. Os mendigos saltavam e gritavam de alegria pelo que estavam a escutar. Para eles, esta era uma Boa Notícia, enquanto que, para os primeiros, era má. Como acolhemos estas palavras de Jesus? Alegram o nosso coração ou enchem-no de incertezas e mal-estar? Cada um pode avaliar a sintonia que sente com as palavras do Senhor, para reconhecer o desafio deste evangelho. Recordemos que existem pessoas tão pobres que a única coisa que têm é dinheiro. Ninguém está mais vazio do que aquele que está cheio de si mesmo. Questionemo-nos se a nossa «carroça» faz muito ruído ou se está carregada de valores e boas obras para nos enriquecer com uma riqueza que só se poderá apreciar no dia da «ressurreição dos justos».

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o vigésimo segundo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 29.8.13 | Sem comentários
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