Jornada Mundial da Juventude


Durante a Via Sacra, no dia 26 de julho de 2013, na Jornada Mundial da Juventude (Rio de Janeiro, Brasil), o papa Francisco proferiu uma reflexão convidando os jovens a acompanhar Jesus no caminho de dor e de amor. 
Começou por colocar três perguntas: O que deixastes na Cruz, queridos jovens brasileiros, nestes dois anos em que ela atravessou este imenso País? E o que terá deixado a Cruz de Jesus em cada um de vós? E, finalmente, o que esta Cruz ensina para a nossa vida?
Num primeiro ponto, o Papa referiu que, na Cruz, Jesus Cristo une-se a todos os seres humanos: vítimas da violência, famílias que passam dificuldades, pessoas que passam fome, mães e pais que sofrem por causa dos filhos, perseguidos, jovens que perdem a confiança e a fé. E acrescentou que na Cruz de Cristo, está o sofrimento, o pecado do ser humano, o nosso também, e Ele acolhe tudo com os braços abertos, carrega nas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Tu não estás sozinho a levar a cruz! Eu levo-a contigo.
Num segundo ponto, respondeu à pergunta: o que é que a Cruz deixa em cada um de nós? Deixa um bem que ninguém mais pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós. Jesus Cristo transformou a Cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida. 
No último ponto, o Papa afirmou que a Cruz também convida a deixar-nos contagiar pelo amor; ensina-nos a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor; ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro das pessoas e lhes estender a mão.
Para terminar, o papa Francisco apresentou os exemplos de Pilatos, Cireneu, Maria e as outras mulheres. E perguntou: Com qual deles te queres parecer?

Queridos jovens,
Viemos hoje acompanhar Jesus no seu caminho de dor e de amor, o caminho da Cruz, que é um dos momentos fortes da Jornada Mundial da Juventude. No final do Ano Santo da Redenção, o Bem-aventurado João Paulo II quis confiá-la a vós, jovens, dizendo: «Levai-a pelo mundo, como sinal do amor de Jesus pela humanidade e anunciai a todos que só em Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção» (Palavras aos jovens, 22 de abril de 1984). A partir de então a Cruz percorreu todos os continentes e atravessou os mais variados mundos da existência humana, ficando quase que impregnada com as situações de vida de tantos jovens que a viram e carregaram. Ninguém pode tocar a Cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da Cruz de Jesus para sua própria vida. Nesta tarde, acompanhando o Senhor, queria que ressoassem três perguntas nos vossos corações: O que deixastes na Cruz, queridos jovens brasileiros, nestes dois anos em que ela atravessou este imenso País? E o que terá deixado a Cruz de Jesus em cada um de vós? E, finalmente, o que esta Cruz ensina para a nossa vida?

Na Cruz, Jesus une-se a todos os seres humanos
1. Uma antiga tradição da Igreja de Roma conta que o Apóstolo Pedro, saindo da cidade para fugir da perseguição do Imperador Nero, viu que Jesus caminhava na direção oposta e, admirado, lhe perguntou: «Para onde vais, Senhor?». E a resposta de Jesus foi: «Vou a Roma para ser crucificado outra vez». Naquele momento, Pedro entendeu que devia seguir o Senhor com coragem até o fim, mas entendeu sobretudo que nunca estava sozinho no caminho; com ele, sempre estava aquele Jesus que o amara até o ponto de morrer na Cruz. Pois bem, Jesus com a sua cruz atravessa os nossos caminhos para carregar os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a Cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, como no caso dos 242 jovens vítimas no incêndio na cidade de Santa Maria no início deste ano. Rezemos por eles. Com a Cruz, Jesus se une a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias joga fora toneladas de comida. Com a Cruz, Jesus está junto de tantas mães e pais que sofrem ao ver os seus filhos vítimas de paraísos artificiais, como a droga; com a Cruz, Jesus se une a quem é perseguido pela religião, pelas ideias, ou simplesmente pela cor da pele; nela Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por verem egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e de ministros do Evangelho. Quanto fazem sofrer Cristo nossas incoerências! Na Cruz de Cristo, está o sofrimento, o pecado do ser humano, o nosso também, e Ele acolhe tudo com os braços abertos, carrega nas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la! Eu a levo com você. Eu venci a morte e vim para lhe dar esperança, dar-lhe vida (cf. João  3, 16).

O que é que a Cruz deixa em cada um de nós?
2. E assim podemos responder à segunda pergunta: o que foi que a Cruz deixou naqueles que a viram, naqueles que a tocaram? O que deixa em cada um de nós? Deixa um bem que ninguém mais pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós. Um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos dá a força para poder levá-lo, entra também na morte para derrotá-la e nos salvar. Na Cruz de Cristo, está todo o amor de Deus, a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. Queridos jovens, confiemos em Jesus, abandonemo-nos totalmente a Ele (cf. Carta Encíclica «A luz da fé» — «Lumen Fidei», 16)! Só em Cristo morto e ressuscitado encontramos salvação e redenção. Com Ele, o mal, o sofrimento e a morte não têm a última palavra, porque Ele nos dá a esperança e a vida: transformou a Cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida.
O primeiro nome dado ao Brasil foi justamente o de «Terra de Santa Cruz». A Cruz de Cristo foi plantada não só na praia, há mais de cinco séculos, mas também na história, no coração e na vida do povo brasileiro e não só: o Cristo sofredor, sentimo-lo próximo, como um de nós que compartilha o nosso caminho até o final. Não há cruz, pequena ou grande, da nossa vida que o Senhor não venha compartilhar connosco.

A Cruz contagia-nos com o amor
3. Mas a Cruz de Cristo também nos convida a deixar-nos contagiar por este amor; ensina-nos, pois, a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre, quem tem necessidade de ajuda, quem espera uma palavra, um gesto; ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro destas pessoas e lhes estender a mão. Tantos rostos — acabamos de vê-los na Via-Sacra — acompanharam Jesus no seu caminho até a Cruz: Pilatos, o Cireneu, Maria, as mulheres... Hoje eu pergunto-vos: Com qual deles te queres parecer? Queres ser como Pilatos, que não teve a coragem de ir contra a corrente, para salvar a vida de Jesus, e lavou as mãos? Digam-me: Vós sois dos que lavam as mãos, fazem-se de distraídos e olham de um lado para o outro ou sois como o Cirineu, que ajuda a Jesus a carregar aquele madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não tiveram medo de acompanhar Jesus até o final, com amor, com ternura. E tu com qual deles te queres parecer? Com Pilatos, com o Cireneu, com Maria? Agora Jesus está a olhar para ti e te diz: Queres ajudar-me a carregar a Cruz? Irmão e irmã, com toda a tua força de jovem, que lhe respondem?
Queridos jovens, levamos as nossas alegrias, os nossos sofrimentos, os nossos fracassos para a Cruz de Cristo; encontraremos um Coração aberto que nos compreende, perdoa, ama e pede para levar este mesmo amor para a nossa vida, para amar cada irmão e irmã com este mesmo amor!

Rio de Janeiro, 26 de julho de 2013
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

A cruz ensina-nos a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.8.13 | Sem comentários
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