A porta da fé [2]


Estamos a catorze semanas de concluir o Ano da Fé, que se iniciou em outubro de 2012 e terminará em novembro de 2013. Semanalmente, apresentamos um número da Carta Apostólica do papa Bento XVI com a qual proclamou o Ano da Fé — «A porta da fé» («Porta Fidei»). E juntamos uma proposta de reflexão elaborada por Pedro Jaramillo. O objetivo é dar um contributo para uma avaliação mais cuidada sobre a forma como estamos a viver o Ano da Fé. Bom proveito!

Desde o princípio do meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo. Durante a homilia da Santa Missa no início do pontificado, disse: «A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo devem pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude» [1]. Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado [2]. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.

[1] Homilia no início do ministério petrino do Bispo de Roma (24 de Abril de 2005): AAS97 (2005), 710
[2] Cf. Bento XVI, Homilia da Santa Missa no Terreiro do Paço (Lisboa – 11 de Maio de 2010): L’Osservatore Romano (ed. port. de 15/V/2010), 3


A porta da fé [Carta Apostólica para o Ano da Fé - «Porta Fidei»]

  • A porta da fé — números publicados no Laboratório da fé > > >



Aspetos que se podem sublinhar

  • Caminho da fé e encontro vivo com Cristo. A meta do ato de fé é o nosso encontro pessoal com Jesus Cristo. Sem este encontro, não passamos de batizados a discípulos.
  • Um caminho salvador: «conduzir os homens [para] fora do deserto, para lugares da vida». Bento XVI gosta muito de falar dos «desertos» pessoais. São aquelas zonas da nossa vida que ainda não foram «fecundadas pela graça». Examino os meus «desertos pessoais».
  • Não dar como suposto, sem o explicitar, que a fé é a fonte de todos os compromissos crentes. Temos de nos comprometer com a vida? SIM. E o mais maravilhoso é que a raiz desse compromisso é a nossa própria fé. Não temos que pedir emprestadas outras motivações. É a mesma fé que temos que nos leva ao compromisso.
  • A crise de fé manifesta-se, especialmente, na falta de evangelização da cultura e das culturas. Quando conseguimos evangelizar as culturas (fazer que sejam mais conformes ao Evangelho) é muito mais fácil «respirar» a fé. Quando as culturas perdem a inspiração evangélica, muitas vezes temos de «nadar contra a corrente».

Interiorizando

  • Examinamos se a fé já desceu da cabeça ao coração e é «geradora de vida». Não é suficiente «saber» os conteúdos da fé. A fé tem de descer ao coração para, a partir dele, influenciar os meus comportamentos.

  • Examinamos se a fé nos converte em «espaço de vida», para onde podemos convidar aqueles que andam pelos «desertos da morte». A fé faz-nos crescer, amadurecer e viver em plenitude. É como a semente: nasce, cresce, faz dos nossos campos «espaços de vida». Que diferença quando há seca! Tudo parece um deserto.

  • Examinamos se a fé está na fonte dos nossos compromissos de vida. Temos que nos dedicar aos compromissos familiares e sociais. Mas, para um crente, a raiz desse compromisso é a fé. Com mais fé, mais compromisso.

  • Examinamos se a nossa ação evangelizadora é individualista (interessa-nos apenas «salvar almas») ou procura chegar à evangelização das culturas. O que temos de mudar pessoal e pastoralmente, para que seja assim? Para poder «salvar pessoas» temos que «salvar» as situações em que essas pessoas vivem. Já dizia São Tomás: «não se podem evangelizar estômagos vazios».

© Pedro Jaramillo
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Bento XVI, Carta Apostólica «A porta da fé»
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.8.13 | Sem comentários
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