Ao ritmo da liturgia


Vigésima semana


O cristão arde com o fogo de Jesus Cristo

Um dia, a caminho de Jerusalém, Jesus Cristo declara aos seus discípulos que vem trazer o fogo à terra; e o que mais deseja é que esse fogo se propague.
Na Bíblia, o fogo reveste-se de diversos significados. Antes de mais, é um sinal da presença de Deus: numa coluna de fogo, Deus guia o povo na fuga do Egito; numa sarça ardente que nunca se consome, Deus dá-se a conhecer a Moisés. Outras vezes, o fogo significa o julgamento de Deus que purifica e destrói tudo o que é fruto da maldade humana. Depois, no livro dos Atos dos Apóstolos, o Espírito Santo aparece sob a forma de línguas de fogo que pousam sobre os discípulos, no dia de Pentecostes. E, nos evangelhos, para exprimir a sua urgência da sua missão, Jesus Cristo fala de um fogo que arde dentro de si; e que ele quer comunicar aos seus seguidores.
Há fogos que temos de acender dentro de nós: o fogo da criatividade e do dinamismo que nos impulsiona a não ficarmos adormecidos; o fogo do desenvolvimento das nossas capacidades; o fogo do amor concreto, que se traduz em obras; o fogo do conhecimento mais profundo de Jesus Cristo, que nos estimula a viver como ele; o fogo pela vida...
Há fogos que temos de acender fora de nós: o fogo da cruzada contra a fome, a injustiça, o ódio, a falta de amor no mundo; o fogo que purifica a corrupção ou a hipocrisia; o fogo que aquece os abandonados; o fogo que queima a indiferença...
Há fogos que temos de acender na nossa comunidade: o fogo do Espírito Santo, que destrói a apatia dos seus membros; o fogo do amor que faz crescer o carinho e a ternura entre todos; o fogo do Evangelho que provoca uma espiritualidade profunda e encarnada; o fogo da missão que leva cada um a ser testemunha da luz da fé...
Mas também há fogos que é preciso apagar: o fogo da vaidade de quem se julga importante e imprescindível, com mais direitos do que os outros; o fogo do desejo das drogas, que arrasta as pessoas para a destruição; o fogo que queima as florestas; todos os fogos estúpidos que ateamos para ocultar a nossa podridão...
Reflete, também tu, sobre os fogos que tens de apagar e os que tens de acender!
Jesus Cristo não é um incendiário (DOMINGO: «Eu vim trazer o fogo à terra»): não procura destruir o mundo com o fogo de uma qualquer ira divina. O Evangelho transpira bondade, ternura e misericórdia! Aliás, os evangelhos revelam-nos a paixão que anima Jesus Cristo e que também nos pode animar (SEGUNDA: «Se queres ser perfeito»). Um desejo louco de ver brilhar em cada ser humano a luz da ressurreição (TERÇA: «Terá como herança a vida eterna»). Uma louca esperança de ver os cristãos saírem do seu tédio para seguirem Jesus Cristo (QUARTA: «Ide vós também para a minha vinha»). Jesus Cristo não quer que ninguém fique de fora (QUINTA: «Convidai para as bodas todos os que encontrardes») desta dinâmica capaz incendiar o mundo.
O cristão arde com o fogo de Jesus Cristo: lendo o Evangelho, meditando-o, acolhendo-o... até, pouco a pouco, transformar o seu coração (SEXTA: «Com todo o teu coração») à imagem do coração de Jesus Cristo. E que mais? Nada mais (SÁBADO: «Verás coisas maiores do que estas»). Tudo o resto virá por acréscimo!

O fogo que Jesus Cristo deseja acender na terra é o Espírito Santo que penetra os corações, purifica-os, transforma-os e torna-os capazes de amar sem limites. Podemos dizer que Jesus Cristo anuncia o tempo do Espírito Santo. É o tempo em que vivemos! Por isso, nesta semana, precisamos de responder a esta questão: Que estou a fazer para que o fogo do Evangelho se propague à minha volta?

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial
© Laboratório da fé, 2013

Vigésima semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.8.13 | Sem comentários
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