PREPARAR O DOMINGO: vigésimo domingo

18 DE AGOSTO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 12, 49-53

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize. Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».



Segunda, 12: TRAZER O FOGO

O início do evangelho do próximo domingo é estimulante: «Eu vim trazer o fogo à terra». Sem ir mais além na minha leitura, faço memória da utilização da palavra fogo na Bíblia: purifica, imola, destrói cidades inimigas, atesta a qualidade de um metal. Também é uma referência da presença de Deus: numa coluna de fogo que guia o povo na fuga do Egito, numa sarça ardente no meio do deserto ou ainda no Templo de Jerusalém. Além disso, é imagem da Palavra de Deus, como «um fogo devorador», dirá o profeta Jeremias, como «línguas de fogo», narrará o relato do Pentecostes. E a mim, ao meu coração, que fogo é que Jesus vem trazer?



Terça, 13: RECEBER UM BATISMO

Depois do fogo, a água do batismo! Jesus não receia os contrastes. Evidentemente que o batismo de que fala Jesus é o do seu mergulho nas águas da morte e da sua saída vitoriosa. Também nós, pelo batismo, somos mergulhados na morte de Cristo para ressuscitar com ele. Jesus emprega uma expressão forte: «tenho de receber». Como se estivesse consciente da sua missão, do porque é que veio. Como se nos deixasse ver e entender a determinação que habita o seu coração, não em vista de uma coisa a fazer, mas em vista de uma realidade a receber e que não pode dar a si mesmo. E eu, no meu coração, o que é que desejo ardentemente receber?



Quarta, 14: FINALMENTE, REALIZAR!

Trazer o fogo, mas que ainda não está aceso. Receber um batismo, mas que ainda não está realizado. Tais são os pensamentos que habitam o coração de Jesus. Há como que uma urgência, uma impaciência, um desejo mais do que ardente. E eu, o que é que mais desejo para o mundo? A minha oração deste dia será para confiar a Deus o fogo devorador que me habita; ou remexer as cinzas para reencontrar um desejo que tenho escondido; ou ainda confiar-lhe o batismo que dormita em mim e tarda tanto a renovar a minha vida enquanto não me entregar totalmente ao Espírito Santo.



Quinta, 15: CÉU E TERRA

Hoje, a Igreja celebra a Assunção de Maria, isto é, a sua elevação ao céu após a morte sobre a terra. É também a festa de todas as mulheres que possuem este nome («Assunção»). Neste dia, peço a Maria que interceda por mim junto de seu Filho, para que me ajude a crescer na fé. Que um pouco do seu céu ganhe raízes na minha terra.



Sexta, 16: SEGUIR CRISTO DIVIDIDO

As palavras são duras. Como é que Jesus, o príncipe da Paz, que em cada uma das suas aparições após a ressurreição começa por dizer «A paz esteja convosco», pode afirmar que vem trazer a divisão? Bem, esta palavra obriga-nos a reconhecer que a conversão — fazer a escolha de ser cristão — não traz forçosamente a paz. A história dos primeiros tempos da Igreja está suficientemente repleta de mártires para não se ignorar o preço que foi pago por alguns. Esta divisão também foi conhecida por Jesus até entre os seus discípulos: um dos seus vai traí-lo com um beijo. Jesus não deixa ninguém indiferente. A sua palavra penetra na vida. Senhor, afasta de mim toda a falsa paz. Que a tua palavra separe, em mim, a luz das trevas.



Sábado, 17: FAMÍLIAS SEPARADAS

Jesus não mastiga as palavras: as pessoas da mesma família ficarão umas contra as outras, não por questões de heranças — o que é infelizmente comum —, mas por causa dele e do Evangelho. E eu, como é que falo da fé, de Jesus, da Igreja... aos membros da minha família?



Domingo, 18: UM FOGO QUE GERA OUTROS FOGOS

Jesus  não é um incendiário: não procura destruir o mundo com o fogo de uma qualquer ira divina! Jesus não é um comandante de guerra: não nos pede para ficarmos uns contra os outros em nome de uma qualquer intransigência! O Evangelho transpira bondade, ternura e misericórdia suficientes para não cedermos a sinais alarmistas. Aliás, o evangelho desde domingo revela-nos a paixão que anima Jesus e que também nos pode animar. Um desejo louco de ver brilhar um dia em cada ser humano a luz da ressurreição. Uma louca esperança de ver os cristãos saírem do seu tédio para seguirem Jesus. Em conclusão: será que a urgência de anunciar o Evangelho nos queima de tal maneira que nos faz mudar de vida?



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Preparar o vigésimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.8.13 | Sem comentários
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