PREPARAR O DOMINGOvigésimo segundo domingo


Vivemos numa sociedade em que praticamente tudo se compra e se paga: o trabalho, os serviços, o ensino, o desporto, o lazer...
A nossa sociedade produz, frequentemente, um tipo de ser humano egoísta, não solidário, consumista, de coração pequeno e horizontes estreitos, incapaz de amar com autêntica generosidade.
É difícil, na nossa sociedade, ver gestos verdadeiramente desinteressados e gratuitos. Aliás, até a amizade e o amor aparecem direta ou indiretamente relacionados com o interesse e o egoísmo.
Por isso, é duro para os nossos ouvidos, escutar o convite desconcertante de Jesus: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres».
Jesus não critica a amizade, as relações familiares, nem o amor alegremente correspondido. Mas convida-nos a refletir sobre a verdade profunda da nossa conduta.
Amar a quem nos ama, ser amável com quem o é connosco, pode ser o comportamento normal de um ser humano egoísta, em quem o benefício próprio continua a ser o critério principal das suas preferências e predileção.
Seria um equívoco acreditar que alguém sabe amar verdadeiramente e com generosidade pelo simples facto de viver em harmonia e saber relacionar-se com facilidade no círculo das suas amizades e nas relações familiares. Também o egoísta «ama» muito aqueles que o amam muito.
Saber amar não é simplesmente saber tratar devidamente aqueles a quem estou ligado pela amizade, pela simpatia ou por uma relação social. Saber amar é não passar ao lado de ninguém que precise da minha proximidade.
Jesus pensava numa sociedade em que cada um se sentisse servo dos mais necessitados. Uma sociedade muito diferente da atual, onde os seres humanos aprendessem a amar não a quem melhor paga, mas a quem mais necessita.
É bom interrogarmo-nos com sinceridade sobre o que buscamos quando nos aproximamos dos outros. Procuramos dar ou receber? Só ama quem é capaz de compreender as palavras de Jesus: «Há mais felicidade em dar do que em receber».

© Juan Jauregui Castelo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o vigésimo segundo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.8.13 | Sem comentários
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