Esta é a nossa fé [42]


Reflexão semanal 
sobre o Credo Niceno-constantinopolitano

A última palavra do «Credo» é comum à maioria das orações: «termina com a palavra hebraica Ámen, palavra que se encontra com frequência no final das orações do Novo Testamento. Do mesmo modo, a Igreja termina com um ‘Ámen’ as suas orações» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1061). [Para ajudar a compreender melhor, ler: 2Coríntios 1, 18-22; Catecismo da Igreja Católica, números 1061-1065]

«Graças a Ele, nós podemos dizer o ‘ámen’ para glória de Deus» — explica Paulo no início da Segunda Carta aos Coríntios. O termo «ámen» faz parte do património linguístico da Sagrada Escritura e, consequentemente, da Igreja. «Se considerarmos a Sagrada Escritura, vemos que este ‘ámen’ é pronunciado no fim dos Salmos de bênção e de louvor, como por exemplo no Salmo 41: ‘Tu me ajudarás, porque vivo com sinceridade, e me farás viver sempre na tua presença. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, desde agora e para sempre. Ámen, ámen!» (versículos 13-14). Ou então exprime adesão a Deus, no momento em que o povo de Israel regressa cheio de alegria do exílio babilónico e diz o seu ‘sim’, o seu ‘ámen’ a Deus e à sua Lei. No Livro de Neemias narra-se que, depois deste regresso, ‘Esdras abriu o livro (da Lei) à vista de todo o povo, pois achava-se num lugar elevado, acima da multidão. Quando o escriba abriu o livro, todo o povo se levantou. Então, Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e e todo o povo respondeu, levantando as mãos: Ámen, ámen!’ (Neemias 8, 5-6).Por conseguinte, desde os primórdios o ‘ámen’ da liturgia judaica tornou-se o ‘ámen’ das primeiras comunidades cristãs» (Bento XVI, Audiência Geral de 30 de maio de 2012). Por fim, o último livro da Sagrada Escritura começa (cf. Apocalipse 1, 6) e termina (cf. Apocalipse 22, 21) com o «ámen» da Igreja.

Ámen. A raiz hebraica e aramaica («‘aman»), tem o significado de «tornar estável», «consolidar», «estar certo», «dizer a verdade». A partir da tradução grega, tornou-se comum associar «ámen» a «assim seja». Na linguagem popular, tomou o sentido de desejo ou resignação. Contudo, na oração não é resignação nem desejo, mas manifestação de segurança e de consentimento: era a resposta que os noivos pronunciavam perante a pergunta se queriam aceitar-se como marido e esposa. Por isso, o «ámen» não é uma mera conclusão: é também expressão de compromisso e segurança. Por outro lado, o «ámen» expressa a fidelidade recíproca entre Deus e o ser humano, entre Deus e nós (cf. CIC 1062). Neste sentido, dizer «ámen», no final do Credo, é repetir a primeira palavra — «Creio» —, reconhecendo a Trindade como único fundamento e sentido da vida. Então, eu acredito porque antes Deus acreditou e acredita em mim, amou-me e ama-me em cada momento da vida. Assim se exprimiu o papa Bento XVI (Audiência Geral de 30 de maio de 2012): «No ‘sim’ fiel de Deus insere-se o ‘ámen’ da Igreja que ressoa em cada gesto da liturgia: ‘ámen é a resposta da fé que encerra sempre a nossa oração pessoal e comunitária, e que expressa o nosso ‘sim’ à iniciativa de Deus. Muitas vezes respondemos por hábito com o nosso ‘ámen’ na oração, sem entender o seu significado profundo. [...] A oração é o encontro com uma Pessoa viva que deve ser ouvida e com a qual dialogar; é o encontro com Deus que renova a sua fidelidade inabalável, o seu ‘sim’ ao ser humano, a cada um de nós, para nos doar a sua consolação no meio das tempestades da vida e para nos levar a viver, unidos a Ele, uma existência cheia de alegria e de bem, que encontrará o seu cumprimento na vida eterna. Na nossa oração somos chamados a dizer ‘sim’ a Deus, a responder com este ‘ámen’ da adesão, da fidelidade a Ele de toda a nossa vida. Esta fidelidade nunca a podemos conquistar com as nossas próprias forças, não é apenas fruto do nosso compromisso quotidiano; ela vem de Deus e está fundada no ‘sim’ de Cristo, que afirma: o meu alimento é cumprir a vontade do Pai. É neste ‘sim’ que devemos entrar, entrar neste ‘sim’ de Cristo, na adesão à vontade de Deus, para chegar a afirmar com Paulo que já não somos nós que vivemos, mas é o próprio Cristo que vive em nós. Então, o ‘ámen’ da oração pessoal e comunitária envolverá e transformará toda a nossa vida de consolação de Deus, uma vida mergulhada no Amor».

A nossa fé não pode ser só uma fé professada. Tem de ser também uma fé celebrada, vivida, anunciada, contemplada. «A vida cristã de cada dia será, então, o ‘Ámen’ ao ‘Creio’ da profissão de fé do nosso Batismo: ‘Que o teu Símbolo seja para ti como um espelho. Revê-te nele, para ver se crês tudo quanto dizes crer. E alegra-te todos os dias na tua fé’» (CIC 1064).

© Laboratório da fé, 2013

Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé  Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.8.13 | Sem comentários
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