Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

Enquanto viajava pelas montanhas, uma mulher sábia encontrou um formoso diamante, num riacho. No dia seguinte, cruzou-se no caminho com outro viajante; ao saber que estava esfomeado, ofereceu-lhe parte da comida que trazia consigo. Ao abrir a bolsa para tirar os alimentos, o homem viu a pedra preciosa no fundo do saco e ficou maravilhado. O viajante pediu o diamante à mulher; esta, sem hesitar, tirou-o da bolsa e deu-lho. O homem foi-se embora maravilhado com a sua incrível sorte, pois sabia que o valor da pedra era suficientemente alto para conseguir viver bem durante o resto da vida. Mas, dias mais tarde, depois de ter procurado a mulher, encontrou-a, devolveu-lhe a joia, e disse-lhe: — Estive a pensar... tenho consciência do valor desta pedra e vou devolve-la, mas espero que em contrapartida me dê algo ainda mais valioso. Depois de um silêncio continuou: — Dê-me essa qualidade que lhe permitiu oferecer-me este tesouro com generosidade e desprendimento
O texto do evangelho para o décimo oitavo domingo apresenta um homem que pede algo inesperado: «'Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo'. Jesus respondeu-lhe: 'Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?'». Esta situação proporciona um ensinamento de Jesus que convém recordar: «Guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». É também uma ocasião para o Senhor contar uma parábola muito bela: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita. Ele pensou consigo: ‘Que hei-de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita? Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus respondeu-lhe: ‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’. Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».
É impressionante a insistência de Jesus e dos evangelhos neste tema da liberdade que devemos ter perante os bens materiais. Não se trata de um convite a não ter, mas a ter de tal maneira que não ponhamos aí o «valor» das nossas vidas. A vida não depende de possuir muitas coisas, mas da nossa capacidade em partilhá-las com os outros, generosamente. Não é rico o que tem muito, mas o que precisa de menos para viver satisfeito. Ignacio Ellacuría, um dos jesuítas assassinados em El Salvador há alguns anos, dizia que a única salvação para o nosso mundo era criar a civilização da austeridade partilhada. Viver com mais simplicidade, sonhar menos com o que nos falta e agradecer mais o que temos. Um mundo e um país em que alguns esbanjam e desbaratam, enquanto a grande maioria não tem o mínimo para sobreviver como seres humanos, não é sustentável a longo prazo.
A parábola que o Senhor nos conta é um convite a não viver dependentes da acumulação de riquezas sem fim, pensando que esse é o caminho da vida. Por esse caminho só se chega à morte. Por isso, peçamos ao Senhor que não nos ofereça diamantes formosos e belos, mas a capacidade de dar com generosidade e desprendimento.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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  • Viver implica um grande desapego face à vida > > >



Preparar o décimo oitavo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.8.13 | Sem comentários
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