Ao ritmo da liturgia


Décima oitava semana


Enquanto quisermos ter mais, nunca teremos o suficiente

A sociedade do consumo está saturada, já consumiu os próprios consumidores. A felicidade que as coisas prometiam proporcionar revelou-se mais como fonte de ansiedade e até de infelicidade. Agora, os criadores de necessidades precisam de inventar maneiras de tirar proveito da crise e, esgotada a bolha imobiliária, criar novas necessidades de valor mais reduzido...
A vida consumista tem êxito porque todos ou quase todos continuam a deixar-se influenciar por esse estilo de vida: não haveria nenhum problema em usar um vestido antigo, se todos abdicássemos do que está na moda; não haveria nenhum problema em ter um carro antigo enquanto funcionasse; não haveria problema em ganhar menos do que o vizinho, se todos tivéssemos o suficiente para viver. Mas há! Porque vivemos de comparações, de inveja, da avareza, do desejo desmedido de ter cada vez mais.
Os cristãos, supostamente, deveriam ter uma atitude diferente, uma alternativa. Quem possui bens imperecíveis de alta qualidade, não deveria ter tanto interesse pelos bens materiais. Seria o fim da consumismo e do capitalismo! Mas o problema é que foram os cristãos que criaram (e continuam a alimentar) esta sociedade profundamente consumista.
Jesus Cristo convida a não viver dependentes da acumulação de riquezas sem fim, pensando que esse é o caminho da vida (DOMINGO: «O que preparaste, para quem será?»). Por esse caminho só se chega à infelicidade e à morte.
Nós, cristãos somos — teríamos de ser — pessoas que vivem de outra maneira, que põem em primeiro lugar as relações pessoais sinceras (SEGUNDA: «Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão»), o carinho (TERÇA: «Como é bom estarmos aqui!»), o gosto pela sobriedade, o desfrute da simplicidade (QUARTA: «Faça-se como desejas»), da beleza gratuita, da natureza, da vida em si mesma (QUINTA: «Feliz de ti»). Mas, para isso, é preciso «estar preparados» (SEXTA: «Entraram com ele para o banquete nupcial»): aprender o gosto da generosidade e do desprendimento (SÁBADO: «Dará muito fruto»), na família, na escola, na catequese...

Nesta semana, aprendamos que a «verdadeira riqueza» não consiste em ter muito, mas em aprender a viver com simplicidade, permitindo-nos ser mais desprendidos e generosos. Como é que o Evangelho ilumina as opções da minha vida?

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial
© Laboratório da fé, 2013

Décima oitava semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.8.13 | Sem comentários
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