Esta é a nossa fé [36]


Reflexão semanal 
sobre o Credo Niceno-constantinopolitano

«Desde o século IV, todas as comunidades cristãs fazem, na sua profissão de fé, esta afirmação: ‘Creio na Igreja santa’. Qual é o verdadeiro significado desta ‘verdade’ que ganhou lugar no credo dos cristãos?» (Manuel Madureira Dias, «Igreja, que dizes de ti mesma? Reflexões sobre a Lumen Gentium», Paulinas Editora, Prior Velho, 2013, 170). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Efésios 5, 25-27; Catecismo da Igreja Católica, números 823-829; para um aprofundamento sobre a Igreja propomos a leitura da Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» — do II Concílio do Vaticano]

«Santa e imaculada» — são as duas características que a Carta aos Efésios relaciona com a Igreja em virtude do amor de Jesus Cristo. Ao falar da relação entre os esposos, Paulo sugere como modelo a relação de Jesus Cristo com a Igreja. Ele amou-a e entregou-se por ela, «para a santificar». Neste contexto, o autor da Carta aos Efésios retoma o simbolismo nupcial utilizado pelos profetas (Oseias, Jeremias, Isaías) para descrever o amor de Deus pelo seu povo. É este amor de Deus que se torna a fonte da santidade da Igreja. «A Igreja é, no dizer da Lumen Gentium, constituída por Cristo como ‘novo Povo de Deus, como nação santa, que, agora, é verdadeiro Povo de Deus’, na sequência do Povo da Antiga Aliança, e que foi constituído por Deus ‘para que o servisse na santidade’. [...] O plano de Deus em relação ao seu Povo é um só: que esse Povo seja santo. Aliás, as afirmações sobre a santidade de Deus, feitas pelo Antigo Testamento, têm sempre, unido a elas, o convite para que ele seja santo, porque Deus é Santo. E, para que não restem dúvidas [...], os apelos à santidade repetem-se, para eles, com boas razões, em diversas passagens dos livros do Novo Testamento (Manuel Madureira Dias, 156-157).

Santa. A santidade da Igreja é resumida, no Catecismo da Igreja Católica (número 867), com esta afirmação: «A Igreja é santa: é seu autor o Deus santíssimo; Cristo, seu Esposo, por ela se entregou para a santificar; vivifica-a o Espírito de santidade. Embora conte no seu seio pecadores, ela é ‘sem pecado feita de pecadores’». Em primeiro lugar, a Igreja é santa na sua origem. Ela tem a sua fonte na santidade de Deus. «A Igreja é santa, antes de mais, pela sua pertença a Deus, em Cristo, pelo Espírito Santo. Deus escolheu-a em Cristo, fez aliança com ela, consagrou-a, e fez dela lugar da sua habitação. Esta é, pois, a grande razão da santidade da Igreja» (Manuel Madureira Dias, 171). Aliás, qualquer abordagem sobre a Igreja tem sempre como primeira referência o próprio Deus. Por isso, o que dissemos sobre a unidade da Igreja (cf. tema 34), dizemos também sobre a sua santidade. «A unidade da Igreja não tem origem em si mesma, mas na santidade de Deus que a envia em missão ao coração do mundo. A santidade da Igreja não é mais evidente que a sua unidade. É aos olhos da fé que a Igreja é indefetivelmente santa. Não é santa pelas pessoas que a compõem e que seriam melhores que os outros. É a Igreja que Deus santifica sem cessar. É, ao mesmo tempo, santa e chamada a purificar-se vivendo do perdão do Pai. [...] A Igreja deve pedir cada dia a Deus a santificação e a santidade» (Ph. Ferlay, J.-N. Bezançon, J.-M. Onfray, «Para compreender o Credo», ed. Perpétuo Socorro, Porto 1993, 155-156). A origem da Igreja é também a sua meta. «A Igreja, à qual todos somos chamados e na qual por graça de Deus alcançamos a santidade, só na glória celeste alcançará a sua realização acabada, quando vier o tempo da restauração de todas as coisas» (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» [LG], 48). Entretanto, como membros, não podemos afirmar a santidade da Igreja sem assumirmos, pessoal e comunitariamente, um compromisso de conversão, de permanente arrependimento e uma disponibilidade para renovar a nossa maneira de viver. «A Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação» (LG 4). Neste sentido, podemos afirmar que a Igreja também é santa na sua missão, ou melhor, é «santificante»: tem como finalidade contribuir para a santificação de todos os seus membros. «A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele. Por Ele e n’Ele torna-se também santificante» (Catecismo da Igreja Católica, 824). O II Concílio do Vaticano, na Constituição Dogmática sobre a Igreja («Lumen Gentium»), apresenta um capítulo (número 39 a 42) onde recorda a «vocação de todos à santidade na Igreja».

Una e santa na sua origem, a Igreja tem como missão levar a unidade e a santidade a todos os seres humanos. A sua missão é universal, isto é, católica.

© Laboratório da fé, 2013

Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé  Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.7.13 | Sem comentários
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