Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

Um conhecido mestre de oração do nosso tempo, Anthony de Mello, refere-se à oração de petição com estas palavras: «A oração de petição é a única forma de oração que Jesus ensinou aos seus discípulos; de facto, é praticamente a única forma de oração que se ensina, explicitamente, ao longo de toda a Bíblia. Sei que isto parece um pouco estranho àqueles que fomos formados na ideia de que a oração pode ser de muitos tipos diferentes e que a forma de oração mais elevada é a oração de adoração, enquanto a oração de petição, por ser uma forma 'egoísta' de oração, ocuparia o último lugar. De certa maneira, todos sentimos que mais tarde ou mais cedo temos de 'superar' esta forma inferior de oração para ascender à contemplação, ao amor e à adoração, não é? Contudo, se refletirmos, veremos que não qualquer forma de oração, incluindo a de adoração e amor, que não esteja contida na oração de petição corretamente praticada. A petição faz-nos perceber a nossa absoluta dependência de Deus, ensina-nos a confiar n'Ele absolutamente» (De Mello, Contacto com Deus).
O Senhor disse-nos que não devemos insistir nos nossos pedidos, porque o Pai sabe o que precisamos antes de lho pedirmos (cf. Mateus 6, 8). Contudo, não deixa de insistir que devemos pedir, como se pode comprovar no texto apresentado na Liturgia da Palavra do décimo sétimo domingo. O mais típico da oração de Jesus, pelo que registam os evangelistas, parece ser a oração de petição. Jesus não só pede na sua oração, como nos ensina a pedir. O que chamamos de Oração do Senhor ou Pai nosso é uma cadeia de sete petições que se vão desprendendo do «Pai nosso». A petição faz-nos tomar consciência da nossa radical dependência de Deus; recorda-nos o nosso limite e a generosa misericórdia de Deus revelada em Jesus. Isto aparece ainda mais claro quando a petição mais repetida por Jesus, nos textos evangélicos, é «não se faça a minha vontade, mas a tua» ou «faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu».
Por isso, a pergunta que temos de fazer não é se podemos pedir, mas o que é que pedimos na nossa oração, pois é aqui que está o problema. Muitas vezes, não pedimos que se faça a sua vontade, ou que nos conceda o que mais nos convém numa determinada situação, mas pedimos aquilo que pensamos que mais necessitamos. Quando o Senhor diz que para pedirmos com insistência, recorda-nos que o que temos de pedir é o Espírito Santo: «Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».
Então, recordemos sempre o que nos diz o Senhor: «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á». A oração de petição põe-nos em contacto com os nossos limites e faz que nos relacionemos com o Senhor a partir da nossa pequenez. Não deixemos de pedir, nem pensemos que a oração de petição é de inferior qualidade em relação a outras formas de encontro com Deus. Mas não esqueçamos de pedir o Espírito Santo, para que nos ajude a entender os planos de Deus a pô-los em prática.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Preparar o décimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.7.13 | Sem comentários
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