Ao ritmo da liturgia


Décima sexta semana


Aprender a definir as (verdadeiras) prioridades

Geralmente, o evangelho convida-nos a estar ao lado de Marta: mãos à obra, a curar e a fazer o bem... até que compreendemos que Maria tem uma (enorme) parte da razão. Tudo o que fazemos é muito débil se não é sustentado por motivações fortes e convicções profundas. Embora não haja «melhor teoria do que uma boa prática», nós, cristãos, sabemos que há algo mais para além da prática, da ação.
Não podemos ter qualquer tipo de receio em reconhecer que o melhor é uma síntese entre a vida ativa e a contemplativa. Não nos faltam exemplos de equilíbrio entre estas duas atitudes!
O que acontece é que, enquanto sabemos bem o que a vida ativa representa, à volta do contemplativo surge sempre uma suspeita de infantilismo, de fuga à realidade, ou até de insanidade mental. Alguns santos tiveram que sofrer estas acusações.
É preciso aprender a dedicar algum tempo a educar a nossa mentalidade para uma atitude contemplativa sadia e frutuosa, aliás, a única capaz de dar um sabor especial à nossa maneira de viver. Basta estar atento para perceber que muitas vezes parece que não vemos mais nada à nossa frente senão o trabalho ou as coisas que temos para fazer (DOMINGO: «Andas inquieta e preocupada com muitas coisas»). Calma! É fundamental definir prioridades. E saber definir o que não se pode deixar de fora dos nossos horários, calendários, agendas e programações (SEGUNDA: «No dia do Juízo»). Quando nos ocupamos demasiado com o «urgente», é muito fácil descuidarmos o mais «importante» (TERÇA: «Permanecei em Mim»).
É preciso abrir espaço ao silêncio, à reflexão, à oração, ao diálogo em profundidade, à leitura (QUARTA: «Saiu o semeador a semear»), ao louvor, à ação de graças... Por que não recuperar ou incentivar à prática do «exame de consciência» (QUINTA: «Que queres?») ou de retiros espirituais? E, claro, também dedicar tempo à amizade, ao carinho (SEXTA: «Felizes os vossos olhos porque vêem e os vossos ouvidos porque ouvem!»), ao amor, à natureza, à beleza, à música, à estética... a tudo aquilo que alimenta a dimensão espiritual (SÁBADO: «boa semente») de cada pessoa, de cada um de nós.

Muitas vezes, o nosso ativismo não nos deixa tempo ou disposição para «perder» um bocado de tempo a sentir a presença de Deus na nossa vida. Procuremos refletir tranquilamente ao longo desta semana: Tenho disponibilidade para acolher Deus na minha vida?

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial
© Laboratório da fé, 2013

Décima sexta semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.7.13 | Sem comentários
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