Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

Há vários anos, num assembleia familiar, no bairro «El Consuelo», lemos a parábola do bom samaritano que nos é apresentada no evangelho do décimo quinto domingo (Ano C). Depois de escutar o texto bíblico, perguntei aos presentes o que é que tinham entendido. Uma senhora bastante idosa tomou a palavra e recapitulou o conteúdo da parábola dizendo: «Acontece que um homem ia por um caminho e foi assaltado por uns ladrões, que o deixaram meio morto. Pouco tempo depois, passou por ali um sacerdote que, ao vê-lo ferido, passou ao lado e continuou o caminho. Em seguida, passou um jesuíta, que fez o mesmo. Entretanto, passou um samaritano, que teve compaixão do ferido, curou-o e ajudou-o». Todos os presentes ficaram impressionados com o excelente resumo feito pela senhora. A única coisa que tive de corrigir foi que o segundo personagem que passou ao lado para evitar o ferido não tinha sido um jesuíta, mas um levita. Uma pequena diferença, mas significativa, tendo em conta que eu estava ali presente.
Quando lemos esta parábola, temos a tentação de pensar nos «maus» que passaram ao lado para não ajudar aquele homem. O comportamento parece-nos exagerado. Ficamos escandalizados interiormente pela falta de sensibilidade e solidariedade. Através daquela senhora, o Espírito Santo provocou em mim a pergunta pelo meu próximo de uma forma crua e direta. A pergunta ficou-me cravada entre o coração e a barriga. O mesmo sentiram todos os presentes nessa noite. Deus estava a convidar-nos a reviver a cena, não desde fora, mas tornando-nos personagens, implicando-nos vitalmente na parábola. Tivemos de reconhecer que mais do que uma vez passamos ao lado dos feridos que Deus tinha posto no nosso caminho. Um pequeno lapso que nos questionou profundamente.
Além disto, há outro elemento que, no meu entender, se perde de vista com certa facilidade ao ler esta parábola. Normalmente, pensamos que o bom samaritano salvou o ferido. Contudo, é apenas parte da verdade. A verdade completa é que o ferido também salvou o samaritano, pois foi ele quem tornou possível que o samaritano, desprezado pelos judeus, tivesse deixado brotar do seu interior o melhor de si mesmo, fazendo-se próximo do seu irmão maltratado e despojado pelos bandidos. Podemos dizer que o sacerdote e o levita não se deixaram salvar pelo ferido. Desperdiçaram uma oportunidade maravilhosa dada por Deus para serem melhores seres humanos, à medida de Deus.
Não esqueçamos que esta história foi contada por Jesus a um manhoso doutor da lei, que veio pô-lo à prova, para perceber se sabia o que se tinha de fazer para alcançar a vida eterna. O doutor da lei sabia bem o que tinha de fazer: «Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ama o próximo como a ti mesmo». Mas, para enredar o Senhor, perguntou: «E quem é o meu próximo?». Assim veio a história. Peçamos por nós, para não nos deixarmos enredar com elucubrações sobre quem é o nosso próximo; e reconheçamos que muitas vezes temos passado ao lado para não nos depararmos com os próximos feridos que não só podíamos salvar, como também se podiam converter na nossa maior fonte de salvação.

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Décimo quinto domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.7.13 | Sem comentários
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