Encuentros con la Palabra — blogue de Hermann Rodríguez Osorio

Se me estou a lembrar bem, há alguns meses, circulou pela internet uma história de um mestre que entrou numa sala de aulas com um vasilha de cristal muito grande e encheu-a de pedras diante dos alunos. Depois de a encher, perguntou as estudantes: Acham que esta vasilha está cheia? Sim, responderam todos ao mesmo tempo. Então, o mestre tirou da mala uma saca com alguns pedras mais pequenas e deixou-as cair dentro da vasilha, nos espaços que existiam entre as pedras maiores. O mestre voltou a perguntar: Agora sim, acham que esta vasilha está cheia? Houve um momento de dúvida e hesitação nas respostas. O mestre pegou numa saca com areia e largou-a lentamente sobre a vasilha. Pouco a pouco, a areia foi enchendo os espaços deixados entre as pedras grandes e as pequenas. Por fim, o mestre perguntou: Será que desta vez a vasilha está cheia? Alguém se atreveu a dizer que não. De modo que o mestre tirou uma garrafa de água e regou todo o conteúdo até praticamente encher a vasilha. Não recordo se mesmo assim a vasilha ficou cheia, porque ocorre-me que se poderia junto alguma coisa para pintar a água ou deitar sal que acaba por se dissolver na água.
No final da história, o mestre pergunta aos estudantes: quais são as pedras maiores das vossas vidas? Se não as colocarmos no início, depois não haverá espaço para elas. É fundamental definir prioridades e saber o que é que não se pode deixar fora dos nossos horários, calendários, agendas e programações. Quando nos ocupamos do «urgente», é muito provável deixarmos o mais «importante» fora das nossas vidas. Algo parecido acontece com Marta, no evangelho do décimo sexto domingo.
«Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: 'Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me'. O Senhor respondeu-lhe: 'Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada'».
Isto não quer dizer que Jesus estava a patrocinar a preguiça de Maria. Nem muito menos a desprezar o esforço de Marta no cumprimento das atividades domésticas. Mas Jesus quer assinalar as prioridades e distinguir entre o «importante» e o «urgente». O que Maria estava a fazer era a ouvir as palavras de Jesus. Muitas vezes, o nosso ativismo não nos dá tempo para nos sentarmos a escutar o mestre, num pequeno momento de oração, ou então para escutar os outros. Quanto tempo dedicamos a escutar os que vivem connosco? Muitas vezes, temos coisas para dizer, mas não as dizemos porque não vemos nos outros a disposição para se sentarem, tranquilamente; nem queremos «perder» um bocado de tempo a escutar os outros ou a escutar Deus
Zenão de Elias, vários séculos antes de Cristo, dizia: «Deram-nos duas orelhas e uma única boca, para escutarmos mais e falarmos menos». Recordar esta experiência de Jesus com Marta e Maria deve interrogar-nos sobre as nossas prioridades; e a rever se temos colocado no seu devido lugar as pedras mais «importantes», antes das «urgentes»...

© Hermann Rodríguez Osorio, SJ

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Décimo sexto domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.7.13 | Sem comentários
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