Esta é a nossa fé [37]


Reflexão semanal 
sobre o Credo Niceno-constantinopolitano

No «Credo niceno-constantinopolitano», existem quatro atributos relacionados com a Igreja: una, santa, católica e apostólica. Interligados entre si, estes atributos indicam os aspetos essenciais da Igreja e da sua missão. Já apresentamos os dois primeiros (cf. temas 35 e 36). Agora, vamos refletir sobre a catolicidade e a apostolicidade da Igreja. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Marcos 16, 15-16.20; Catecismo da Igreja Católica, números 830-870; para um aprofundamento sobre a Igreja propomos a leitura da Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» — do II Concílio do Vaticano]

«Proclamai o Evangelho a toda a criatura» — é a missão que Jesus Cristo ressuscitado confia aos Apóstolos, tal como está narrado no evangelho segundo Marcos. Este convite também está presente no evangelho segundo Mateus (28, 19): «Fazei discípulos de todos os povos». Em ambos os casos, as palavras pronunciadas por Jesus Cristo são uma síntese dos evangelhos. Neste contexto, importa destacar a missão universal dos discípulos. Hoje, continua a ser o essencial da missão da Igreja. «Cristo ressuscitado enviou os seus discípulos para dar testemunho da sua presença salvífica a todos os povos, porque Deus, no seu amor superabundante, quer que todos sejam salvos e ninguém se perca. Com o sacrifício de amor na Cruz, Jesus abriu o caminho para que todo o homem e mulher possa conhecer a Deus e entrar na comunhão de amor com Ele. E constituiu uma comunidade de discípulos para levar o anúncio salvífico do Evangelho até os confins da terra, a fim de alcançar os homens e as mulheres de todos os lugares e de todos os tempos. Façamos nosso esse desejo de Deus!» (Bento XVI, Mensagem para a XXVIII Jornada Mundial da Juventude).

Católica. O sentido original do termo («católica») evoca a plenitude, a totalidade da Igreja. Opõe-se a tudo o que é divisão. «Professar na fé a ‘catolicidade’ da Igreja é recusar a atitude de quem seleciona algumas partes da experiência e da verdade de fé em desfavor de outras, mantendo somente as que lhe agradam mais. É empenhar-se num diálogo e numa comunhão universais» (Dionigi Tettamanzi, «Esta é a nossa fé!», Paulinas, Prior Velho 2005, 120-121). O Catecismo da Igreja Católica (número 830) afirma que o atributo da catolicidade possui um duplo sentido: a Igreja «é católica porque nela está presente Cristo [...]; é católica porque Cristo a enviou em missão à universalidade do género humano» (Catecismo da Igreja Católica, 830). Na verdade, a catolicidade da Igreja não está associada a uma dimensão espacial. Em primeiro lugar, a catolicidade remete para a sua identidade, cujo fundamento é Jesus Cristo. Em segundo lugar, aponta para a sua vocação que é ser universal. Ora, é o primeiro sentido (plenitude) que dá fundamento ao segundo (universalidade). Jesus Cristo envia a Igreja em missão a toda a humanidade. Em ambos os sentidos, podemos constatar que a catolicidade da Igreja está relacionada com a sua unidade (cf. tema 35). «Catolicidade e unidade caminham lado a lado. E a unidade tem um conteúdo: a fé que os Apóstolos nos transmitiram da parte de Cristo» (Bento XVI, «A alegria da fé», Paulinas Editora, Prior Velho 2011, 79).

E apostólica. «A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos» (Catecismo da Igreja Católica, 857), «porque confessa a fé dos Apóstolos e tenta vivê-la» (Bento XVI, 80). Este (quarto) atributo é o fundamento de todos os outros: «uma Igreja só é verdadeiramente una, santa e católica, quando é apostólica. [...] A apostolicidade da Igreja é a garantia da sua fidelidade no Espírito à missão confiada» (Ph. Ferlay, J.-N. Bezançon, J.-M. Onfray, «Para compreender o Credo», ed. Perpétuo Socorro, Porto 1993, 158). Ao referir este atributo («apostólica») podemos cair no equívoco de o associar ao contexto da «sucessão apostólica», remetendo para os bispos, cuja tradição aponta como os sucessores dos Apóstolos. No entanto, precisamos de tomar consciência de que «seguir os apóstolos não é um privilégio de alguns, mas sim a tarefa de toda a Igreja. Somente a Igreja que vive universalmente na sucessão apostólica pode ser considerada apostólica, ou seja, em harmonia com o testemunho apostólico, tal como chegou até nós no Novo Testamento» (Hans Küng, «Credo. A Profissão de Fé Apostólica explicada ao Homem Contemporâneo», Instituto Piaget, Coleção «Crença e Razão» 14, Lisboa 1997, 158).

«Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica» (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 8).

© Laboratório da fé, 2013

Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé  Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 11.7.13 | Sem comentários
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