PREPARAR O DOMINGO: décimo sétimo domingo

28 DE JULHO DE 2013

Bento XVI, «Jesus de Nazaré», A Esfera dos Livros, 2007, 177-179


O «Pai Nosso» no evangelho segundo Lucas aparece no contexto do caminho de Jesus para Jerusalém. Lucas introduz a oração do Senhor com a seguinte anotação: «Sucedeu que, estando Ele algures a orar, disse-Lhe, quando acabou, um dos Seus discípulos: 'Senhor, ensina-nos a orar'» (11, 1). Assim, o contexto é o encontro com a ato de orar de Jesus, que desperta nos discípulos o desejo de aprenderem com Ele a rezar. Trata-se de um elemento característico de Lucas, que reserva à oração de Jesus um lugar particularmente relevante no seu evangelho. O conjunto da atividade de Jesus brota da sua oração, é sustentado por ela. Assim, factos essenciais do seu caminho, nos quais progressivamente se revela o seu mistério, aparecem como acontecimentos de oração. A confissão que Pedro faz de Jesus como o Santo de Deus está ligada a um encontro com Jesus orante (Lucas 9, 19s); a transfiguração de Jesus é um acontecimento de oração (Lucas 9, 28s). Por isso, é significativo que Lucas coloque o «Pai Nosso» em relação com a oração pessoal de Jesus. Desta maneira, Ele torna-nos participantes do seu rezar, introduz-nos no diálogo interior do Amor trinitário, eleva por assim dizer as nossas necessidades humanas até ao coração de Deus. Mas isto significa também que as palavras do «Pai Nosso» indicam o caminho para a oração interior, representam orientações fundamentais para a nossa existência, querem conformar-nos à imagem do Filho. O significado do Pai Nosso ultrapassa a mera comunicação de palavras de oração; quer formar o nosso ser, quer exercitar-nos nos sentimentos de Jesus (Filipenses 2, 5). Para a interpretação do «Pai Nosso», isto encerra um duplo significado. Em primeiro lugar, é muito importante escutar com a maior fidelidade possível a palavra de Jesus, tal como a Escritura no-la transmite. Devemos procurar reconhecer, verdadeiramente e o melhor que pudermos, os pensamentos de Jesus que Ele nos queria transmitir com estas palavras. Em segundo lugar, devemos ter presente também que o «Pai Nosso» provém da sua oração pessoal, do diálogo do Filho com o Pai. Isso quer dizer que o mesmo alcança uma profundidade tal que está para além das palavras. Abrange toda a extensão da existência humana de todos os tempos e, portanto, não se pode sondar com uma interpretação meramente histórica, por mais importante que seja. Os grandes orantes de todos os séculos, através da sua íntima união com o Senhor, puderam mergulhar nas profundezas que estão para além da palavra, conseguindo assim desvendar ainda mais a riqueza escondida da oração. E cada um de nós, com a sua relação absolutamente pessoal com Deus, pode encontrar-se acolhido e guardado nesta oração. Incessantemente deve com a sua «mens» — com o próprio espírito — ir ao encontro da «vox», da palavra que nos vem do Filho, deve abrir-se a ela e deixar-se conduzir por ela. Assim abrir-se-nos-á também o coração do Senhor, dando a conhecer a vontade que Ele tem de rezar precisamente com cada um.



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Preparar o décimo sétimo domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.7.13 | Sem comentários
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