Ao ritmo da liturgia


Décima segunda semana


Quem dizem as multidões que Eu sou?

A maioria das pessoas que não lê o Evangelho, nem tem qualquer base religiosa, não conhece quase nada sobre Jesus Cristo; muito menos tem ideias claras sobre a sua verdadeira identidade. Quando muito, conservam um apreço genérico por Jesus Cristo («um grande homem»), tendo mais por base um desejo do que um conhecimento.
Mas nem todas essas opiniões sobre Jesus Cristo são totalmente erradas. Vale a pena conhecê-las, porque, a partir delas, podemos abrir caminho para o conhecimento da verdadeira natureza de Jesus Cristo, a sua novidade.

E, vós, cristãos, quem dizeis que Eu sou?

Na Igreja, em cada comunidade cristã, existem opiniões profundamente distintas sobre Jesus Cristo. As pessoas que acompanharam Jesus também tinham opiniões diferentes. Até os discípulos não têm a mesma opinião sobre Jesus Cristo (como testemunham os textos do Novo Testamento). Mas havia aspetos básicos que ninguém punha em questão. Tinham comido e vivido com Jesus Cristo, viram como ele falava e como se comportava com as pessoas. Por isso, uma coisa tem de ser clara: antes das interpretações dos Santos, da Tradição, dos documentos papais e dos movimentos eclesiais, está o Evangelho.

Quem dizem as multidões que vós sois?

Hoje, talvez seja esta a pergunta mais importante! A pergunta torna-se mais pertinente e comprometedora para os cristãos. É aqui que se desenvolve a nova evangelização.
Não é por acaso que o evangelho une as perguntas sobre a identidade de Jesus Cristo com indicações destinadas ao «seguidor» de Jesus Cristo (o discípulo, o cristão): negar-se a si mesmo, isto é, renunciar ao egoísmo; tomar a sua cruz todos os dias; estar dispostos a perder/sacrificar a vida (temporal) para ganhar a Vida (eterna), ou seja, para se salvar (DOMINGO: «Quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á»).
O que significa «perder» a vida por causa de Jesus Cristo? Não se trata de ter uma vida atrofiada. É exatamente ao contrário: a vida torna-se fecunda quando se dá aos outros. É tudo uma questão de confiança e de amor. Em primeiro lugar, ter confiança em Deus, deixar-se tocar pelo Espírito Santo (SEGUNDA: «Cheio do Espírito Santo») que nos diz que somos filhos amados e que podemos viver como filhos de Deus. Em segundo lugar, viver o amor. Quem ama verdadeiramente, está disposto a tudo para seguir o amado e viver para ele. Quando sou capaz de me desprender de tudo (TERÇA: «Apertado o caminho que conduz à vida»), incluindo o apego à vida, em favor dos outros, estou verdadeiramente a amar e, portanto, a crescer como ser humano.
Neste percurso, há sempre necessidade de estar atento às propostas enganadoras (QUARTA: «Acautelai-vos dos falsos profetas») e às «imagens» deturpadas que nos afastam do verdadeiro Messias (QUINTA: «Nunca vos conheci»). Mesmo assim, Jesus Cristo dá-nos uma nova oportunidade (SEXTA: «Eu quero: fica curado») para viver como seus discípulos (SÁBADO: «Segue-Me»).

Esta semana, desafia-nos a um «silêncio» purificador que, à luz do mistério pascal, nos ajude a descobrir a verdadeira identidade do Messias. E, em consequência, perceberemos que seguir Jesus Cristo significa percorrer, como ele, o mesmo caminho que conduz à Vida. Teremos a decisão de Pedro? Ou teremos, também como ele, os nossos altos e baixos?

A elaboração deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial
© Laboratório da fé, 2013

Décima segunda semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.6.13 | Sem comentários
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