A catequese no Laboratório da fé


Muitas das nossas crianças não têm a dimensão do espiritual porque nós não suscitámos na catequese e em casa esta busca. Deixámos que o materialismo do tagarelar das orações e das frases feitas se instalem definitivamente na sua vida cristã.
A nanoLinguagem dos pequeninos, dos poetas e dos místicos é que nos pode conduzir ao espiritual. A linguagem da metáfora que permite a deslocação dos conteúdos doutrinários e crispados da liturgia que os catecismos institucionalizaram.
A criança possui em si a qualidade de se tornar espiritual, está em gérmen e em nano. Cabe aos educadores da fé, aos pais e aos catequistas tornar possível o acesso ao espiritual. E isso é exequível com o proporcionar de um espaço calmo, de silêncio, da palavra certa, da metáfora, de espera e de uma certa contemplação. E o mais importante – a escuta das crianças, a escuta de Deus a passar no seu coração.
Encontro muitos catequistas preocupados com o cumprimento da programação de conteúdos, com o fazer atividades, com as faltas das crianças às sessões de catequese, etc.
Mas tornar acessível o espiritual não é querer atingir objetivos sem fim, treinar as crianças em atividades e dar-lhe distrações que ocupem o tempo e encobrem o espaço interior. É responder-lhes sempre às suas questões de forma verdadeira, conforme o que cada um de nós sabe. É fazer um caminho com a criança e juntos descobrir Deus. É criar momentos de oração, sem orações enlatadas e pré-feitas. É aprender a calarmo-nos e não esgotar a ocasião com cânticos e gestos.
Parar na nanoPalavra, no nanoSilêncio. Deixar Deus entrar nas crianças e em nós. Apurar o nanoEspiritual e confiar.
Um menino que fez a primeira comunhão este ano escrevia esta carta a Jesus:
Querido Jesus,
Queria que entrasses mais fundo do meu coração, fizesses alegria dentro dele e me ajudasses a ser outro Jesus na terra!
Dá-me exemplo de ser como tu, alargar o meu coração para todos os que me rodeiam.
Daqui em diante estarás mais presente no meu coração!
Escrever uma carta a Jesus sem racionalismos e sem perguntar «para quê?». A postura espiritual na vida de todos nós passa pela confiança e pela dependência, pela consciência do relacional, do ligar a nossa vida aos outros e ao divino.
A catequese deveria explorar um nanoCredo que deixasse brotar o inesperado (vazio) e o espiritual:
Creio no frágil,
Senhor que dá a diversidade,
nascido do vacilar e da certeza;
E com o silêncio é interrogado e duvidado:
ele que falou pelo vazio.

© Luísa Alvim, catequista de coisas invisíveis na terra visível
© Laboratório da fé, 2013



NanoCredo


Creio
em ti,
pai maternal
amor poderoso,
criador do inútil e do imperfeito,
de todas as coisas nano e mínimas.

Creio no sorriso de Jesus nas crianças
Filho do mistério do amor
Pré-Natal desde sempre:
Deus em mim, Luz da Luz
Deus do imprestável de Deus dos cansaços;
Sem-abrigo, não acabado
Confiante ao Pai.
Por Ele tudo está inacabado.
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.

Também por nós foi desnudado sob o nosso desprezo
destruído
E foi lixo.
Ressuscitou como um jardineiro,
conforme a nanoPalavra;
E desceu aos infernos,
onde está sentado à direita do nada
de novo há-vir tocar-nos,
para amar os impotentes;
E a fome do pai não terá fim.


Creio no frágil,
Senhor que dá a diversidade,
nascido do vacilar e da certeza;
E com o silêncio é interrogado e duvidado:
ele que falou pelo vazio.



  • O nanoCredo publicado no Laboratório da fé [1] [2] [3] [4] 

Descobrir o espiritual



catequista de coisas invisíveis na terra visível


Luísa Alvim, mãe de 3 filhos, sonhadora do impossível, é catequista de coisas invisíveis na terra visível, na paróquia de S. Victor, em Braga. Técnica superior na área de Biblioteca e Documentação na Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, desde 1995. Atualmente trabalha na Casa de Camilo - Museu e Centro e Estudos. Licenciada em Filosofia, pós-graduada em Ciências Documentais, Mestre em Ciência da Informação, e Doutoranda em Ciência da Informação e membro integrado do Centro e Investigação CIDEHUS na Universidade de Évora.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.6.13 | Sem comentários
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