Ao ritmo da liturgia


Corpo e Sangue de Jesus Cristo e nona semana

Comungar Jesus Cristo e a sua causa


Todas as religiões se caracterizam por um perigoso desvio: os seres humanos iludem-se perante a possibilidade de poder transcender as suas vidas e entrar em contacto direto com a divindade mediante a prática de uma determinado ritual.
No entanto, Jesus Cristo ensina-nos a estar bem atentos à realidade terrena, pois é nela e através dela que Deus comunica connosco e se torna presente.
Os primeiros cristãos, antes de assumir a eucaristia como um ritual, faziam dela uma refeição familiar, uma verdadeira partilha não só com os que nela tomavam parte, mas também com (todos) os outros.
O «corpo de Cristo» significa muito mais do que a carne e o sangue, os ossos e os músculos: é o corpo de um homem que se comprometeu totalmente, que defendeu a causa em que acreditava e, por ela, deu a vida.
O pão partido e preparado para ser comido é sinal do que Jesus Cristo foi ao longo de toda a sua vida. Quando nos contentamos em comer o «corpo de Cristo» e não «comemos» também a sua causa, estamos apenas a participar num entretimento litúrgico!
Agora, o importante não está no pão enquanto tal, mas no facto de ser partido e repartido, isto é, está pronto para ser entregue (a todos) e ser comido. Jesus Cristo esteve sempre preparado para se entregar aos outros. Mas esta realidade diz respeito a todos, não apenas a Jesus Cristo. Embora pudesse saciar sozinho a multidão, Jesus Cristo implica os discípulos no acontecimento (DOMINGO: «Dai-lhes vós de comer»), envolvendo-nos numa lógica de partilha quotidiana com os outros.
Quando não percebemos esta lógica, a tentação da ganância pode ser mais forte (SEGUNDA: «Vamos matá-lo e a herança será nossa»), e até podemos inventar desculpas para justificar os nossos desejos (TERÇA: «Jesus, conhecendo a sua hipocrisia»).
Então, precisamos que Jesus Cristo denuncie o nosso comportamento (QUARTA: «Vós andais muito enganados»), nos recorde o essencial (QUINTA: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo») e nos ajude a descobrir a alegria da conversão (SEXTA: «Um só pecador que se arrependa»), guardando os seus ensinamentos (SÁBADO: «Guardava todas estes acontecimentos em seu coração»).

Não basta contentarmo-nos em «ir à missa todos os domingos». É preciso guardar o Evangelho no coração. Isto é que faz de nós verdadeiros «praticantes».

A primeira parte deste texto foi inspirada na obra de José Luis Cortés, El ciclo C, Herder Editorial
© Laboratório da fé, 2013

Corpo e Sangue de Jesus Cristo e nona semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.6.13 | Sem comentários
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