Esta é a nossa fé [31]


Reflexão semanal 
sobre o Credo Niceno-constantinopolitano

Há uma dificuldade clara em explicar a Trindade de Deus; e ainda maior é a dificuldade em dizer «quem» é o Espírito Santo, a terceira Pessoa de Deus (cf. tema 30). Na proclamação da fé católica, dizemos que o Espírito Santo é «Senhor que dá a vida». Perante a pergunta sobre quem é o Espírito Santo podemos responder: é Senhor; é fonte de vida. [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 4, 1-42; Catecismo da Igreja Católica, números 683-686 e 703-710 e 721-726]

«A água que Eu lhe der há de tornar-se nele em fonte de água que dá a vida eterna» — diz Jesus Cristo, no diálogo com a mulher samaritana que se aproxima do poço de Jacob, em Sicar. Nesta narração do evangelho segundo João, depois da primeira troca de palavras, a mulher fica maravilhada com a resposta de Jesus Cristo. A samaritana não consegue entender tudo, até porque se situa apenas na evidência: para ela, a água encontra-se no fundo do poço. Mas Jesus Cristo insiste numa água que sacia a sede para sempre. «Jesus promete à Samaritana que dará a ‘água viva’, em abundância e para sempre, a todos aqueles que o reconhecerem como o Filho enviado pelo Pai para nos salvar (cf. João 4, 5-26; 3, 17). Jesus veio para nos dar esta ‘água viva’ que é o Espírito Santo, para que a nossa vida seja guiada, animada e alimentada por Deus. Quando dizemos que o cristão é um homem espiritual entendemos precisamente isto: é uma pessoa que pensa e age em conformidade com Deus, segundo o Espírito Santo. Mas pergunto-me: e nós, pensamos segundo Deus? Agimos em conformidade com Deus? Ou deixamo-nos guiar por muitas outras coisas que não são propriamente Deus? Cada um deve responder a isto no profundo do seu coração» (Francisco, Audiência Geral de 8 de maio de 2013).

Senhor. O título de «Senhor» (e fonte de vida) atribuído ao Espírito Santo acontece no Concílio de Constantinopla, no ano de 381. Afirmar que o Espírito Santo é Senhor, tal como Jesus Cristo (cf. tema 7), é proclamar a sua divindade: é uma Pessoa de Deus. «Porque é uma Pessoa divina, o Espírito faz-nos participar na vida de Deus» (Ph. Ferlay, J.-N. Bezançon, J.-M. Onfray, «Para compreender o Credo», ed. Perpétuo Socorro, Porto 1993, 125). Neste sentido, podemos dizer que «o ‘Espírito’ é um dom de Deus, melhor, é o próprio Deus que se dá. [...] O Espírito Santo é o próprio Deus que se comunica» (Dionigi Tettamanzi, «Esta é a nossa fé!», Paulinas, Prior Velho 2005, 104-105).

Que dá a vida. O Catecismo da Igreja Católica afirma que o Espírito Santo está presente na Criação como o «Sopro» de Deus que, com a Palavra, está «na origem do ser e da vida de todas as criaturas» (número 703). O Espírito é como a «respiração» de Deus. Entre outros, há um momento ímpar em que se destaca a presença do Espírito Santo como fonte de vida: a Encarnação (cf. tema 17 e Catecismo da Igreja Católica, números 721 a 726: «É com e pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá à luz o Filho de Deus»). Presente na Criação, na Encarnação — e em todos os momentos da história — o Espírito Santo continua a derramar sobre nós a vida de Deus. «O Espírito Santo é a fonte inesgotável da vida de Deus em nós. O ser humano de todos os tempos e lugares deseja uma vida plena e boa, justa e serena, uma vida que não seja ameaçada pela morte, mas que possa amadurecer e crescer até à sua plenitude. O ser humano é como um viajante que, ao atravessar os desertos da vida, tem sede de água viva, jorrante e fresca, capaz de saciar profundamente o seu desejo de luz, amor, beleza e paz. Todos nós sentimos este desejo! E Jesus doa-nos esta água viva: é o Espírito Santo. [...] Este é o dom precioso que o Espírito Santo derrama nos nossos corações: a própria vida de Deus, vida de filhos verdadeiros, uma relação de intimidade, liberdade e confiança no amor e na misericórdia de Deus, que tem como efeito também um olhar novo para os outros, próximos e distantes, vistos sempre como irmãos e irmãs em Jesus, que devem ser respeitados e amados. O Espírito Santo ensina-nos a ver com os olhos de Cristo, a viver e a compreender a vida como Ele o fez. Eis por que a água viva que é o Espírito Santo sacia a nossa vida, porque nos diz que somos amados por Deus como filhos, que podemos amar Deus como seus filhos e com a sua graça podemos viver como filhos de Deus, como Jesus» (Francisco, 8 de maio de 2013).

«Deixemo-nos guiar pelo Espírito Santo, permitamos que Ele nos fale ao coração e nos diga: Deus é amor, Deus espera-nos, Deus é Pai, ama-nos como verdadeiro pai, ama-nos verdadeiramente e só o Espírito Santo diz isto ao nosso coração» (Francisco).

© Laboratório da fé, 2013


Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé  Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.5.13 | Sem comentários
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