Nihil Obstat — blogue de Martín Gelabert Ballester

Jesus vai... para enviar o Espírito Santo
Há uma expressão que Jesus dirige aos seus discípulos que faz pensar: «convém que eu vá» (João 16, 7). Com a partida de Jesus obtém-se um lucro. Esta expressão está acompanhada por uma reiterada advertência: vou-me, mas vós não podeis ficar tristes. Que tipo de lucro estranho é este que se obtém com a partida de Jesus, como é que se pode ficar alegres pela sua partida, porque é que nos convém que vá? «Se eu não for — diz Jesus — o Paráclito não virá até vós; mas se eu for, eu vo-lo enviarei». Então, agora a pergunta volta-se para o Paráclito: Que coisas extraordinárias faz o Espírito Santo para valerem tão alto preço como o da ausência de Jesus?
A presença de Jesus estava limitada a um tempo e a um espaço determinados. O Espírito não está limitado, nem pelo tempo nem pelo lugar. A sua presença é universal e permanente. E, além disso, o Espírito torna Jesus presente. Com uma presença diferente da terrena, mais discreta, mas não menos real. Graças ao Espírito, Jesus continua a estar connosco todos os dias até ao fim do mundo. Por outro lado, o Espírito torna-nos adultos, maiores de idade. Obriga-nos a assumir as nossas responsabilidades. Já não podemos recorrer ao Mestre para nos oferecer soluções feitas. Temos de ser nós a procurá-las, seguindo os impulsos do Espírito e recordando os exemplos do Mestre, com a consciência clara de que os nossos tempos são diferentes. Temos de enfrentar novos problemas, pois somos os únicos responsáveis e só com as nossas respostas os podemos resolver.
Finalmente, o Espírito muda a nossa mentalidade, cura o nosso coração e renova a nossa vida. Graças ao  Espírito, pensamos com o pensamento de Cristo, amamos com um coração como o de Jesus e cumprimos a vontade de Deus. O Espírito produz em nós como que uma segunda natureza («um novo nascimento»), através da qual pensamos, amamos e agimos de um modo novo, diferente, equivalente nas nossas vidas à forma de pensar, amar e agir da divindade: os que se deixam guiar pelo Espírito são filhos de Deus. Guiar sim, porque nós somos responsáveis pelo que fazemos. O Espírito não nos baralha, não falsifica a nossa personalidade, renova-a, cura-a e purifica-a. Eu já não penso que roubar seja algo bom; penso que é mau e, por isso, porque é mau não há nada que me leve a roubar; eu já não amo egoisticamente, o meu coração está aberto ao universal, sem exclusões nem discriminações; já não atuo à procura do meu próprio interesse, mas do interesse dos outros.

© Martín Gelabert Ballester, OP

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



Nihil obstat - www.laboratoriodafe.net
Martín Gelabert Ballester, frade dominicano, nasceu em Manacor (Ilhas Baleares) e reside em Valencia (Espanha). É autor do blogue «Nihil Obstat» (em espanhol), que trata de questões religiosas, teológicas e eclesiais. Pretende ser um espaço de reflexão e diálogo. O autor dedica o seu tempo à pregação e ao ensino da teologia, especialmente antropologia teológica e teologia fundamental. 
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.5.13 | Sem comentários
0 comentários:
Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
  • Recentes
  • Arquivo
  • Comentários