Queremos mesmo que o Espírito Santo venha às nossas vidas e mude o que é preciso na nossa Igreja? Não será que estamos comodamente a fazer tudo de acordo com os nossos desejos, «fazendo tudo como sempre se fez», mantendo posições e estatutos de poder, fazendo sempre o mínimo possível para obter bons resultados?
Entretanto, rezamos convictos esta oração: «vem e renova a face da terra». Queremos renová-la? Queremos mesmo mudar a nossa vida de católicos instalados e acomodados a uma rotina de missa semanal e de algum evento paroquial? Queremos colocar à luz do Espírito os nossos verdadeiros sentimentos e opções pelo Evangelho? Queremos realmente ver a mudança da nossa Igreja de formalismos, de poder e de influência, numa Igreja de humildade, de serviço, de pobreza e de solidariedade? Não será que o Espírito Santo não goza de «demasiada devoção» porque precisamente muito – ou melhor tudo – mudaria com a sua presença?
Precisamos do Espírito Santo para não continuar assim, cansados e cheios de problemas. Estamos a precisar de renovação e de fogo. Acreditamos no Espírito Santo, mas precisamos da sua contínua assistência para nos tornar mais fiéis à Verdade.
Somos uma Igreja que necessita sempre de renovação e mudança, para não ficar presa aos costumes e tradições. Não a renovação da alienação espiritual, mas a verdadeira, a da mudança para o compromisso e o discipulado vivido no mundo. Necessitamos que o Espírito inspire a Igreja das hierarquias bem marcadas a uma transformação para o pastoreio fiel a Cristo e ao seu Evangelho.
Celebrar o Pentecostes para continuar iguais, não tem sentido. Esta é a festa da diversidade, do colorido, da unidade na diferença. Esta festa do Espírito Santo anima-nos a ser uma Igreja que recebe, que cuida da vida, que convoca, que acompanha e que continua a dar à luz. Não é a Igreja da doutrina, da segregação, da repressão, dos esquemas repetidos de controle, da lei e do comodismo. Não é a Igreja do Espírito Santo com uma infinidade de fiéis tíbios, temerosos e tímidos. É a Igreja do Espírito que, fielmente, segue Jesus e que, com valentia, o anuncia em qualquer lugar.
Pentecostes defini-se por um número temporal, mas é uma experiência concreta que cada cristão tem de viver para ser fiel ao projeto do Pai. Pentecostes é a festa da Igreja fiel. Não é a festa das paredes, do êxito, do recrutamento e das longas cerimónias. É a festa da missão, da Palavra e da alegria em viver na Verdade.

© 
Germán Diaz, religioso salesiano
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Pomba e fogo, símbolos do Espírito Santo

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.5.13 | Sem comentários
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