Redes sociais e nova evangelização


Susana Hortigosa García, co-fundadora do projeto «iMisión», propõe duas premissas imprescindíveis na «bagagem» do missionário na rede: a internet não é um mero instrumento, a internet é um lugar, um novo continente que faz parte da vida real; ser e estar na internet em nome da missão e não para proveito próprio.  

Um dos cenários mais recorrentes quando se fala de Nova Evangelização são as redes sociais na internet. Mas qual é a linguagem e quais são as regras neste território, para muitos de nós inexplorado? Oferecemo-vos duas premissas imprescindíveis na «bagagem» do missionário na rede.
Há pouco tempo, num curso sobre evangelização nas redes sociais, um dos formadores começou a sua intervenção com um vídeo. Era um fragmento da película «A Missão»: um jesuíta entra na selva, oboé em riste, procurando estabelecer com os nativos algo parecido com um diálogo; mas é recebido com uma não demasiada cordialidade. Terminada a cena, o conferencista questionou-nos sobre os paralelismos que encontrávamos entre a situação que tínhamos visto e a de quem pretende evangelizar na internet.
Vieram à baila os instrumentos, as linguagens, os idiomas, os códigos. Insuspeitas semelhanças entre o oboé e o computador, entre o oboé e o Facebook, entre o oboé e... O conferencista olhava atónito para nós. Não entendia como estavamos a passar por cima do mais evidente: o religioso estava num lugar desconhecido, mas tinha lá ido para evangelizar.
Ora, isto acontece porque, queiramos ou não, continuamos a pensar na internet como um instrumento e não como um lugar. A internet, longe de ser um simples meio de comunicação ou um passatempo para informáticos e adolescentes com problemas de sociabilização, converteu-se num autêntico novo continente; um continente habitado e a fervilhar de atividade, onde a maioria da população passa boa parte da sua vida.
Segundo a última sondagem da AIMC (Associação para a Investigação de Meios de Comunicação), em Espanha, no ano de 1996, apenas 392 pessoas tinham usado a internet no último mês referente ao momento da sondagem. Segundo o mesmo organismo, em 2012, 24 204 pessoas estiveram na internet no último mês e 10 029 delas tinham-na visitado no dia anterior. Isto significa que 85, 5% dos espanhóis visita a internet mais do que uma vez ao dia. 

Ser e estar

Nós, os internautas, conhecemos outras pessoas na rede, compramos, divertimo-nos, lemos, partilhamos as coisas de que gostamos, jogamos, assistimos a aulas, vemos filmes, escutamos música, informamo-nos, falamos com os nossos amigos ou com desconhecidos. A linha entre a internet e a «vida real» é cada vez mais difusa, pela simples razão de que o que se faz na internet é uma parte da vida real.
Existe neste novo continente uma lei não escrita, mas escrupulosamente respeitada. Trata-se da meritocracia. Na internet, não importa como te chamas ou o cargo que ocupas noutros locais: tens que ganhar o respeito dos outros pelas tuas próprias forças. Isto, que à partida parece uma boa perspetiva, é um dos maiores inimigos do missionário na internet. A coluna vertebral da missão é o despojar-se de si mesmo para se entregar a Cristo e ao próximo. Contudo, na internet tudo é visível e multitudinário. 
Uma pequena habilidade no momento certo pode ser recompensada de um modo desproporcionado. Um exemplo: eu sigo no «Spotify» (uma plataforma de música onlline) um rapaz que tem 68 288 seguidores, simplesmente porque uma manhã levantou-se e decidiu fazer uma lista de músicas que se tornou popular. Com este sistema de recompensa, corre-se o risco de que a missão acabe por ser a «minha» missão: o meu projeto, a minha página web, os meus seguidores; e o esforço evangelizador vá degradando num esforço para conseguir mais um «gosto» ou mais um comentário elogioso. 
Por isso, neste continente mais do que em nenhum outro, é necessário manter vivos os versos do salmista: «Não a nós, Senhor, não a nós, mas para glória do teu nome». Assim, manter esta presença necessária de um testemunho fiel a Cristo, estando «sempre prontos para apresentar a todos os que vos pedirem a razão da vossa esperança; sempre, antes de mais, com doçura, respeito e reta consciência».

© Susana Hortigosa García — www.imision.org —
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013 – Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.5.13 | Sem comentários
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