Maria, ícone da fé obediente


Maria, ícone da fé obediente — Maria vive inteiramente da e na relação com o Senhor; põe-se em atitude de escuta, atenta a captar os sinais de Deus no caminho do seu povo; está inserida numa história de fé e de esperança nas promessas de Deus, que constitui o tecido da sua existência. E submete-se de maneira livre à palavra recebida, na obediência da fé. Esta abertura a Deus na fé inclui também o elemento da obscuridade. Maria vive a sua fé na alegria da Anunciação, mas passa inclusive através da obscuridade da crucifixão do seu Filho, para poder chegar até à luz da Ressurreição. Não é diferente inclusive para o caminho de fé de cada um de nós: encontramos momentos de luz, mas vivemos também outros nos quais Deus parece ausente; o seu silêncio pesa no nosso coração e a sua vontade não corresponde à nossa, àquilo que nós gostaríamos. Mas quanto mais nos abrirmos a Deus, acolhermos o dom da fé, depositarmos totalmente nele a nossa confiança — como Abraão e como Maria — tanto mais Ele nos torna capazes, mediante a sua presença de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. No entanto, isto significa sair de nós mesmos e dos nossos projetos, a fim de que a Palavra de Deus seja a lâmpada orientadora dos nossos pensamentos e das nossas acções.

Mistérios a partir da reflexão do papa Bento XVI


  • PRIMEIRO MISTÉRIO: AVE
«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo!». São estas as palavras — citadas pelo evangelista Lucas — com as quais o arcanjo Gabriel se dirige a Maria. A saudação do anjo a Maria constitui um convite à alegria, a um júbilo profundo, anuncia o fim da tristeza que existe no mundo, diante do limite da vida, do sofrimento, da morte, da maldade e da obscuridade do mal que parece ofuscar a luz da bondade divina. Trata-se de uma saudação que marca o início do Evangelho, da Boa Nova.

  • SEGUNDO MISTÉRIO: CHEIA DE GRAÇA
Na saudação do anjo, Maria é chamada «cheia de graça»; em grego o termo «graça» tem a mesma raiz linguística da palavra «alegria». O júbilo provém da graça, ou seja, deriva da comunhão com Deus, do facto de manter um vínculo tão vital com Ele, a ponto de ser morada do Espírito Santo, totalmente plasmada pela obra de Deus. Maria é a criatura que de modo singular abriu totalmente a porta ao seu Criador, colocando-se nas suas mãos sem quaisquer limites.

  • TERCEIRO MISTÉRIO: O SENHOR ESTÁ CONTIGO
«O Senhor está contigo». No diálogo entre o anjo e Maria realiza-se exactamente a promessa feita a Israel conforme o livro do Sofonias: «Alegra-te, filha de Sião... O Senhor teu Deus está no meio de ti». Deus virá como Salvador e fará a sua morada precisamente no meio do seu povo, no ventre da filha de Sião. Maria é identificada com o povo desposado por Deus, é verdadeiramente a Filha de Sião em pessoa; é nela que se cumpre a expetativa da vinda definitiva de Deus, é nela que o Deus vivo faz a sua morada.

  • QUARTO MISTÉRIO: CONSERVAVA TODAS AS COISAS NO CORAÇÃO
No Evangelho de Lucas, afirma-se que Maria «conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração». Maria não se limita a uma compreensão superficial, mas sabe olhar em profundidade, deixa-se interpelar pelos acontecimentos, elabora-os, discerne-os e alcança aquele entendimento que só a fé pode garantir. É a humildade profunda da fé obediente de Maria, que acolhe em si mesma também aquilo que não compreende no agir de Deus, deixando que seja Deus quem abre a sua mente e o seu coração.

  • QUINTO MISTÉRIO: A FIGURA DE ABRAÃO
O evangelista Lucas narra a vicissitude de Maria através de um paralelismo requintado com a vicissitude de Abraão. Do mesmo modo como o grande Patriarca é o pai dos crentes, que respondeu à chamada de Deus para sair da terra em que vivia, das suas seguranças, para começar a percorrer o caminho rumo a uma terra desconhecida e possuída só na promessa divina, assim Maria entrega-se com plena confiança à palavra que lhe anuncia o mensageiro de Deus, tornando-se modelo e mãe de todos os crentes.

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Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.5.13 | Sem comentários
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