Segunda-feira da sexta semana de Páscoa


Evangelho segundo João 15, 26 – 16, 4a

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando vier o Paráclito, que Eu vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim. E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio. Disse-vos estas palavras para não sucumbirdes. Hão de expulsar-vos das sinagogas; e mais ainda, aproxima-se a hora em que todo aquele que vos matar julgará que presta culto a Deus. Procederão assim por não terem conhecido o Pai, nem Me terem conhecido a Mim. Mas Eu disse-vos isto, para que, ao chegar a hora, vos lembreis de que vo-lo tinha dito».


Hão de expulsar-vos das sinagogas

A prática de uma vida saudável não impede o aparecimento de algumas «surpresas» que exigem uma atenção especial. Nessas situações, para não cair na tentação de colocar em causa tudo o que se fez anteriormente, é preciso também ter práticas saudáveis em todas as dimensões da vida. A saúde mental é uma delas. É neste ponto que se situa o texto evangélico deste dia. 
Jesus Cristo alerta os seus discípulos para os ataques mais dolorosos que uma pessoa crente pode sofrer: a violência causada pela própria religião. «Hão de expulsar-vos das sinagogas». Os primeiros discípulos de Jesus Cristo eram judeus. Ora, Jesus Cristo diz-lhes que vão ser expulsos das sinagogas, ou seja, os responsáveis pela religião vão excomungá-los, proibi-los de participar nos atos de culto. E até coloca a hipótese de serem mortos em nome da mesma religião. 
A perseguição por si mesma não é saudável, é sempre causadora de sofrimento. Mas mais dolorosa é a perseguição movida pelos que são dos «nossos». Sentir que é a nossa própria religião que nos marginaliza, despreza, persegue e até ameaça, é muito mais difícil de suportar e de ultrapassar. Por isso, não admira a preocupação de Jesus Cristo em alertar os seus discípulos para essa possibilidade: «Disse-vos estas palavras para não sucumbirdes» — acrescenta.
Hoje, tal como ontem, para ter uma vida ressuscitada é preciso escutar os conselhos de Jesus Cristo, nosso psicólogo particular. Sem deixar de lado as práticas individuais para manter uma vida cristã saudável, precisamos também de estar atentos aos «estragos» que podem vir da própria instituição eclesial. Recentemente, o papa Francisco escreveu que é pior uma Igreja doente do que uma Igreja acidentada, isto é, que não «sai à rua» para não ter nenhum acidente, mas fica em casa fechada. «Uma Igreja que não sai, mais tarde ou mais cedo, fica doente por causa da atmosfera viciada em que se encerra. É verdade também que a uma Igreja que sai pode-lhe acontecer o mesmo que a qualquer pessoa que sai à rua: ter um acidente. Perante esta alternativa, quero dizer-vos francamente que prefiro mil vezes uma Igreja acidentada do que uma Igreja doente. A doença típica da Igreja fechada é a auto-referência; olhar para si mesma, estar curvada sobre si mesma. É uma espécie de narcisismo que nos conduz à mundanidade espiritual e ao clericalismo sofisticado, que rapidamente nos impede de experimentar 'a doce e confortante alegria de evangelizar'» — explicou o Papa, na carta que enviou aos bispos argentinos

© Laboratório da fé, 2013

João 20, 20 - www.laboratoriodafe.net
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.5.13 | Sem comentários
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