Pequeninos do Senhor


O Evangelho das Bodas de Caná (João 2, 1-11) traz, nitidamente, o exemplo da relação de amor e respeito entre filho e mãe, e vice e versa, porque a Mãe intercede em favor de seus filhos junto do Seu Filho que lhe é solícito. Maria, ao falar para Jesus sobre a falta de vinho na festa de casamento, mostra, na verdade, a sua atenção voltada para as carências dos humanos. Ela foi a primeira discípula e a mais perfeita, abrindo o Caminho para todos aqueles que desejam seguir Jesus; a primeira Mestra dos discípulos... aquela que intercede pela necessidade dos homens (cf. João Paulo II, Carta Apostólica sobre o Rosário — «Rosarium Virginis Mariae»), ensinando a esperança, a caridade e a confiança em Deus; e, movida pela compaixão, leva Jesus a revelar-se e dar início aos seus milagres (cf. Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 58), a fim de que todos conheçam o Messias, o Filho amado de Deus, e glorifiquem o Pai. Ela é o maior exemplo de dedicação e seguimento de Jesus!
Tudo aconteceu porque faltou o vinho naquele dia, naquela festa, assim como está a faltar amor na vida e nos relacionamentos, nos lares, nos berços, nas gestações, entre os casais e irmãos. O vinho nas bodas é o sinal do amor na vida do casal e, esse sentimento que hoje é tão banalizado, é a essência do ser humano que foi gerado por Aquele que é Amor.
Todos precisam de receber amor, porém, as crianças precisam declaradamente deste afeto incondicional, desta dedicação ímpar, deste sentimento que acolhe, para que cresçam e sejam exemplos e sinais de humanidade, de solidariedade e de esperança no mundo.
Faltou o vinho na festa, assim como está a faltar a presença dos pais na vida dos filhos e o respeito dos filhos para com os pais. É preciso reavaliar a paternidade e a maternidade responsáveis, que são compromissos sociais e cristãos dos pais com a sociedade e, principalmente, com Deus!
Faltou o vinho na festa, assim como falta a paciência na educação e a perseverança na prática das virtudes. Os filhos são o reflexo do comportamento dos pais: tornam-se agressivos ou pacíficos, bondosos ou indiferentes, conforme aquilo que vivenciam no dia a dia.
Faltou o vinho na festa, assim como falta a orientação dos pais para que seus filhos caminhem juntamente com eles de mãos dadas com Jesus, dando exemplo de fé e sendo espelho que reflete os passos a serem seguidos. Na família, como numa igreja doméstica, os pais devem, pela palavra e pelo exemplo, ser para os filhos os primeiros arautos da fé e favorecer a vocação própria de cada um, especialmente a vocação consagrada (cf. Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 11).
Faltou o vinho na festa, assim como falta a fé em Jesus Cristo no mundo, porém «em Caná, Maria aparece como aquela que acredita em Jesus: a sua fé provoca n'Ele o primeiro 'milagre', contribuindo para suscitar a fé dos discípulos» (João Paulo II, Carta Encíclica sobre a Bem-aventurada Virgem Maria na vida da Igreja que está a caminho — «Redemptoris Mater», 21). Maria é a discípula que nos leva até Jesus e nos ensina a obedecer-lhe, despertando a fé nos corações.
Está a faltar o vinho na sua casa? É preciso ser como Maria, ter Jesus ao seu lado e a confiança que só Ele pode transformar a água (sinal da humanidade) em vinho (sinal de uma vida envolvida na divindade).
Os pais e catequistas precisam de ser exemplos e ensinar as crianças a fazerem também a sua parte, enchendo de água a vasilha da vida, exercitando as virtudes e praticando atitudes cristãs, acreditando que Deus as aceita e as transforma em vinho novo, ou seja, em amor, sentimento que torna o mundo mais humano, mais justo e mais fraterno.

© Rachel Abdalla — www.pequeninosdosenhor.org —
© Adaptado por Laboratório da fé, 2013

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Rachel Abdalla é fundadora e presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor (desde 1997); membro da 'Equipa de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo (desde 2011); coordenadora da Catequese da Família da paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, São Paulo (desde 2012); colaboradora da Agência ZENIT – O mundo visto de Roma, na coluna quinzenal de orientação catequética Pequeninos do Senhor (desde 2012). 

Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.5.13 | Sem comentários
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