Esta é a nossa fé [29]


Reflexão semanal 
sobre o Credo Niceno-constantinopolitano

No «Credo» niceno-constantinopolitano, o artigo dedicado a Jesus Cristo termina com a afirmação da vitória final: «e o seu reino não terá fim». Qual é o reino de Jesus Cristo? Quando é que começa? Este tema será de novo aprofundado quando nos referirmos, no final do «Credo», à esperança na ressurreição e na vida «do mundo que há de vir» (temas 40 e 41) [Para ajudar a compreender melhor, ler: Primeira Carta aos Coríntios 15, 20-28; Catecismo da Igreja Católica, números 668-682]

«É necessário que Ele reine até que tenha colocado todos os inimigos debaixo dos seus pés» — afirma Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, ao refletir sobre a vitória obtida com a ressurreição de Jesus Cristo. A seguir acrescenta: «O último inimigo a ser destruído será a morte». Paulo mostra-nos que a vitória definitiva de Jesus Cristo acontece com a vitória sobre a morte. Ora, isso já aconteceu, pois a ressurreição é a manifestação dessa vitória. No entanto, ainda não está totalmente concluída, uma vez que o pecado e a morte continuam presentes nesta nossa existência terrena. De facto, todos podemos constatar que Jesus Cristo «não eliminou a morte biológica: o organismo do ser humano, como o de qualquer ser vivo, corrompe-se e acaba por sucumbir. Porque é que dizemos então que Ele venceu a morte? Ele venceu-a porque a privou do seu sentido de destruição total do ser humano e transformou-a no nascimento duma vida plena e definitiva. Ele foi o primeiro a percorrer esse caminho e com Ele chegam à vida de Deus todos os que morrem com Ele» (Fernando Armellini, «O banquete da Palavra. Ano A», Paulinas, Lisboa 1995, 415). Em Jesus Cristo a história já atingiu a plenitude, mas ainda não se consumou o final dos tempos. Aí, será instaurado definitivamente o Reino, para que «Deus seja tudo em todos».

E o seu reino não terá fim. O tema do Reino acompanha toda a vida de Jesus Cristo. «Desde o anúncio do seu nascimento, o Filho unigénito do Pai, que nasceu da Virgem Maria, é definido ‘rei’ no sentido messiânico, ou seja, herdeiro do trono de David, segundo as promessas dos profetas, para um reino que não terá fim (cf. Lucas 1, 32-33). A realeza de Cristo permaneceu totalmente escondida, até aos seus trinta anos, transcorridos numa existência comum em Nazaré. Depois, durante a vida pública, Jesus inaugurou o novo Reino, que ‘não é deste mundo’ (João 18, 36) e no final realizou-o plenamente com a sua morte e ressurreição. Ao aparecer ressuscitado aos Apóstolos, disse: ‘Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra’ (Mateus 28, 18): esta autoridade brota do amor, que Deus manifestou plenamente no sacrifício do seu Filho. O Reino de Cristo é dom oferecido aos homens de todos os tempos, para que todo aquele que acredita no Verbo encarnado ‘não morra, mas tenha a vida eterna’ (João 3, 16). Por isso, precisamente no último Livro da Bíblia, o Apocalipse, Ele proclama: ‘Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim’ (Apocalipse 22, 13)» (Bento XVI, «Angelus» de 20 de novembro de 2005). Esta reflexão pode ser complementada pela (re)leitura dos temas 14 e 23: «Por Ele todas as coisas foram feitas» e «Ressuscitou ao terceiro dia». O II Concílio do Vaticano, na Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual («Gaudium et Spes») esclarece: «Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos que transformação sofrerá o universo. [...] Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra, na qual reina a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos seres humanos. [...] Sobre a terra, o reino já está misteriosamente presente; quando o Senhor vier, atingirá a perfeição» (número 39). Na verdade, do início até ao fim, o Reino está intimamente ligado a Jesus Cristo. «Onde Jesus Cristo chegava, chegava o Reino. Onde Jesus Cristo estava, o Reino de Deus mostrava-se. Quando as pessoas tocavam em Jesus, estavam a tocar no Reino, quando o viam estavam a vê-lo. Quando escutavam as parábolas, estavam a escutar a gramática insuspeita do Reino. [...] Este é o grande anúncio de Jesus: ‘O Reino Deus está no meio de vós’! Está dentro de nós, no meio do mundo, no interior da História como semente... É este o maravilhoso tesouro a descobrir. Deus já está presente! [...] Hoje a minha vida está envolvida pelo Reino de Deus» (José Tolentino Mendonça, «Pai nosso que estais na Terra», Paulinas, Prior Velho 2011, 81.83).

A dinâmica do Reino está presente na oração (Pai nosso), na liturgia (último domingo do ano litúrgico: «Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo») e em toda a vida do cristão!

© Laboratório da fé, 2013


Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé  Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.5.13 | Sem comentários
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