El barón rampante — blogue de Jesús Bastante

Gastamos muito tempo, demasiado, a falar «da» Igreja. «Dessa» Igreja cúmplice com o poder, com o dinheiro, com os segredos. Das declarações «da» Igreja sobre o preservativo, a moral sexual, os casamentos homossexuais, a mulher... Enchemos todos a boca na hora de falar «da» Igreja. Sobretudo os crentes. Penso que chegou a hora de mudar.
Temo-lo dito várias vezes e agora repetimos: o Papa é apenas um homem, por muitas esperanças que muitos tenhamos depositado nessa esperança trazida por Francisco e pelos seus gestos. Os gestos são importantes, geram expetativas (que, se não acontecem, provocam esplêndidas deceções) e contagiam alegria e cumplicidade. Mas não valem nada, quando não produzem compromissos: este Papa parece disposto a assumi-los; e com ele toda «a» Igreja. Mas há que pedir mais. Corrigo: há que pedir-nos mais.
É hora de exigir, como crentes de uma ou outra ideologia, mais ou menos ortodoxos, progressistas, moderados ou conservadores, que tomemos consciência de que esta é a «nossa» Igreja. Com os seus defeitos e as suas virtudes. Com as suas esperanças e os seus medos. Com os seus pecados e a sua glória. Com a sua capacidade para mudar o mundo e, também, para provocar tristeza e indignidade.
É hora de nos considerarmos, verdadeiramente, membros da mesma Igreja. Desse movimento de seguidores de Jesus, o Nazareno, que de manhã entrou em Jerusalém louvado pelas multidões e, poucos dias depois, foi condenado pelos mesmos que o aclamavam. É assim a nossa Igreja: paradoxa, contraditória, difícil de entender... tal como nós. 
Chegou a hora de entender, de falar, de construir «a» Igreja na primeira pessoa do plural. Porque o Papa é «a» Igreja, mas não só. Porque os bispos são «a» Igreja, mas não só. Porque os religiosos, os movimentos, os fiéis de base, os afastados, também são «a» Igreja. A de Cristo. A nossa. Porque chegou a hora de dizer, acreditar e atuar em consequência do fundamento de que «somos» Igreja. Porque sem todos e cada um de nós o caminho torna-se mais difícil, com mais pedras e com menos liberdade. Porque todos e cada um de nós somos necessários, com os nossos talentos e as nossas misérias. Porque somos assim somos, a imagem e semelhança de quem nos criou.
Porque sem «Nós» não existirias «tu», nem «eu», nem «os outros». Porque a mensagem só se entende a partir do próximo que, além do mais, também sou eu. «Igrejemos»! Na primeira pessoa. Do plural.

© Jesús Bastante
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Imagem fano – www.laboratoriodafe.net

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.4.13 | Sem comentários
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