— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Sexta-feira da quinta semana


— Evangelho segundo João 10, 31-42

Naquele tempo, os judeus agarraram em pedras para apedrejarem Jesus, Então Jesus disre-lhes: «Apresentei-vos muitas boas obras, da parte de meu Pai. Por qual dessas obras Me quereis apedrejar?» Responderam os judeus: «Não é por qualquer boa obra que Te queremos apedrejar: é por blasfémia, porque Tu, sendo homem, Te fazes Deus». Disse-lhes Jesus: «Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’? Se a Lei chama ‘deuses’ a quem a palavra de Deus se dirigia – e a Escritura não pode abolir-se –, de Mim, que o Pai consagrou e enviou ao mundo, vós dizeis: ‘Estás a blasfemar’, por Eu ter dito: ‘Sou Filho de Deus’!» Se não faço as obras de meu Pai, não acrediteis. Mas se as faço, embora não acrediteis em Mim, acreditai nas minhas obras, para reconhecerdes e saberdes que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai». De novo procuraram prendê-l’O, mas Ele escapou-Se das suas mãos. Jesus retirou-Se novamente para além do Jordão, para o local onde anteriormente João tinha estado a baptizar e lá permaneceu. Muitos foram ter com Ele e diziam: «É certo que João não fez nenhum milagre, mas tudo o que disse deste homem era verdade». E muitos ali acreditaram em Jesus.

— «Não é por qualquer boa obra que Te queremos apedrejar: 

      é por blasfémia, porque Tu, sendo homem, Te fazes Deus»

O IV Evangelho estabelece já a razão da morte violenta de Jesus. É a que será apresentada no tribunal religioso, prévio à paixão: a blasfémia: «sendo homem, Te fazes Deus». Compreende-se que, a partir da posição judaica, não lhes vale de nada a razoabilidade que Jesus faz das «obras de o Pai que mandou realizar».
Percebe-se claramente a tensão: por duas vezes, os judeus procuram a violência contra Jesus: querem apedrejá-lo e procuram prendê-lo. Os argumentos de Jesus não servem para nada. Eles estão fixos no argumento da «lógica judaica»: «um homem não pode ser Deus». Tinham percebido bem a pretensão de Jesus. Era isso mesmo que Jesus lhes queria dizer: que era Deus. Tinham entendido bem, mas reagiram muito mal. Nem sequer as obras, que reconhecem, valem para avalizar semelhante pretensão. Definitivamente, Jesus — pensam — é um blasfemo.
O ambiente de Jerusalém, da religião estabelecida, aparece sempre duro para Jesus. Por isso, caminha de novo para a margem do Jordão. Os discípulos de João têm argumentos positivos: tudo o que João disse sobre ele era verdade. E acabam por acreditar: «E muitos ali acreditaram em Jesus».

— Sinais para o caminho de fé

  • A Jesus não podemos aproximar-nos com «pré-juízos» religiosos. Ele próprio é o iniciador o que leva à plenitude a nossa fé. E «ninguém acreditaria nele se não for atraído pelo Pai».
  • A confissão de fé cristológica é especialmente «desconcertante». A Encarnação não entra nos esquemas religiosos espiritualistas. Mas, contudo, é um ponto central do Deus de Jesus. É a condição indispensável para que a humanidade do Verbo não se dilua
  • Amamos tanto a Jesus que, sem nos darmos conta, até divinizamos a sua humanidade. Temos que recordar constantemente: «O Verbo fez-se carne e habitou entre nós». 
  • Se Jesus não se tivesse apresentado com este realismo, não teria dado a ocasião aos judeus para o acusarem de blasfemo. Entre os judeus, havia formas de alguém se designar «filho de Deus» sem escandalizar. Eram próprias dos justos e piedosos. A de Jesus escandalizou, porque era «filho» de outra maneira: a encarnação. Deus faz-se homem!!!
© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.3.13 | Sem comentários
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