— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Sexta-feira da quarta semana


— Evangelho segundo João 7, 1-2.10.25-30

Naquele tempo, Jesus percorria a Galileia, evitando andar pela Judeia, porque os judeus procuravam dar-Lhe a morte. Estava próxima a festa dos Tabernáculos. Quando os seus parentes subiram a Jerusalém, para irem à festa, Ele subiu também, não às claras, mas em segredo. Diziam então algumas pessoas de Jerusalém: «Não é este homem que procuram matar? Vede como fala abertamente e não Lhe dizem nada. Teriam os chefes reconhecido que Ele é o Messias? Mas nós sabemos de onde é este homem, e, quando o Messias vier, ninguém sabe de onde Ele é». Então, em alta voz, Jesus ensinava no templo, dizendo: «Vós Me conheceis e sabeis de onde Eu sou! No entanto, Eu não vim por minha própria vontade e é verdadeiro Aquele que Me enviou e que vós não conheceis. Mas Eu conheço-O, porque d’Ele venho e foi Ele que Me enviou». Procuravam então prender Jesus, mas ninguém Lhe deitou a mão, porque ainda não chegara a sua hora.

Procuravam então prender Jesus, mas ninguém Lhe deitou a mão, 

     porque ainda não chegara a sua hora.

Jesus deixa a Galileia, o lugar do anúncio simples, sereno e até acolhedor, e chega a Jerusalém, lugar do confronto e da recusa.
O comentário de alguns reflete esta situação tensa: «Não é este homem que procuram matar?». A razão da intentona é clara: Jesus tinha declarado que era o Messias.
Mas eles têm um argumento contra essa pretensão: conhecem a origem de Jesus, contudo ninguém saberá de onde vem o Messias. Aqui se insere a declaração de Jesus. João tem, em certas ocasiões, uma maneira de apresentar as coisas que se conhece como «ironia de João». Utiliza-a, aqui, na boca de Jesus: sabem a origem de Jesus, mas não sabem. E Jesus acrescenta um novo desenvolvimento da sua condição de «Enviado». Quem envia é o Pai. Aqui está o segredo da ignorância dos judeus a respeito da origem de Jesus: eles não conhecem o Pai.
A afirmação de Jesus a respeito da «ignorância sobre Deus» por parte dos que eram tidos como especialistas do divino é uma afirmação forte. A reação não pode esperar: tentam detê-lo. Mas termina com uma nota títpica do IV Evangelho: «ninguém Lhe deitou a mão, porque ainda não chegara a sua hora». A «hora» da entrega de Jesus não é determinada por ninguém. Pertence ao tempo do Pai.

— Sinais para o caminho de fé

  • A Quaresma, através das leituras bíblicas destes últimos dias, aproximam-nos da «explicação» sobre a morte violenta de Jesus. Na nossa confissão cristológica, afirmamos: «padeceu sob Pôncio Pilatos; foi crucificado, morte e sepultado».
  • Contudo, este «final» de Jesus teve a sua «história»: no caso da condenação judaica, vemos como se vai perfilando a acusação de «blasfémia». De tal maneira Jesus «baralha» as conceções judaicas de messianismo que abre espaço à «lógica» da cruz.
  • A morte de Jesus precisa de ser entendida no contexto de toda a sua vida pública. Com efeito, não se trata de uma casualidade, mas de uma reação violenta contra um ensinamento e um estilo de vida «intoleráveis», a partir do ponto de vista da «ortodoxia» judaica.
© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.3.13 | Sem comentários
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