— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Quarta-feira da quarta semana


— Evangelho segundo João 5, 17-30

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: «Meu Pai trabalha incessantemente e Eu também trabalho em todo o tempo». Esta afirmação era mais um motivo para os judeus quererem dar-Lhe a morte: não só por violar o sábado, mas também por chamar a Deus seu Pai, fazendo-Se igual a Deus. Então Jesus tomou a palavra e disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: O Filho nada pode fazer por Si próprio, mas só aquilo que viu fazer ao Pai; e tudo o que o Pai faz também o Filho o faz igualmente. Porque o Pai ama o Filho e Lhe manifesta tudo quanto faz; e há-de manifestar-Lhe coisas maiores que estas, de modo que ficareis admirados. Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim o Filho dá vida a quem Ele quer. O Pai não julga ninguém: entregou ao Filho o poder de tudo julgar, para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que O enviou. Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e acredita n’Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não será condenado, porque passou da morte à vida. Em verdade, em verdade vos digo: Aproxima-se a hora – e já chegou – em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem, viverão. Assim como o Pai tem a vida em Si mesmo, assim também concedeu ao Filho que tivesse a vida em Si mesmo; e deu-Lhe o poder de julgar, porque é o Filho do homem. Não vos admireis do que estou a dizer, porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz: Os que tiverem praticado boas obras irão para a ressurreição dos vivos e os que tiverem praticado o mal para a ressurreição dos condenados. Eu não posso fazer nada por Mim próprio: julgo segundo o que oiço e o meu juízo é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou».

— «Quem ouve a minha palavra 

     e acredita n’Aquele que Me enviou 

     tem a vida eterna»

É um texto longo e denso de João. Segue-se imediatamente à cura do paralítico de Betsatá. Por isso, a primeira afirmação sobre o «trabalho» ao sábado: «Meu Pai trabalha incessantemente e Eu também trabalho em todo o tempo». Os judeus, que já o perseguiam pela sua relação com o sábado, chegam agora a identificar a que vai ser a causa da morte de Jesus: é um blasfemo, porque chama seu Pai a Deus, igualando-se a ele.
O resto da leitura é uma exposição sobre esta especial relação de Jesus, o Filho, com o seu Pai, Deus: o que Jesus faz é porque vê o Pai a fazer. O Pai entregou ao Filho a tarefa de julgar. O evangelista concentra-se no tema do juízo. Uma primeira afirmação: «Quem ouve a minha palavra e acredita n’Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não será condenado, porque passou da morte à vida». O IV Evangelho continua a insistir no juízo final, realizado pelo Filho do Homem, a quem foi dado «o poder de julgar».
Como resultado: «Os que tiverem praticado boas obras irão para a ressurreição dos vivos e os que tiverem praticado o mal para a ressurreição dos condenados». No juízo, a vontade do Filho aparece estritamente unida à vontade do Pai.

— Sinais para o caminho de fé

  • A reação dos judeus perante o facto de Jesus chamar a Deus seu Pai é considerá-lo um blasfemo, porque é entendem a afirmação em todo o seu realismo: faz-se igual a Deus.
  • O que para os judeus é blasfémia, para nós é «confissão de fé». «Creio em Jesus Cristo, seu único Filho... consubstancial ao Pai». Mas, é verdade: «ninguém pode dizer Jesus Cristo é o 'Senhor' se não pela ação do Espírito Santo». Enquanto comunidade cristã, nós dizemos-lhe: «nós acreditamos que tu és o Filho de Deus».
  • É preciso que nos recordemos do tema do juízo final. É também parte do nosso Credo: «de novo há de vir em sua glória, para julgar os vivos e os mortos». Um discernimento em que contam as obras realizadas, a forma e o estilo de vida: «Os que tiverem praticado boas obras irão para a ressurreição dos vivos e os que tiverem praticado o mal para a ressurreição dos condenados».
  • A esperança escatológica faz parte da nossa fé. Não temos aqui morada permanente, caminhamos para a morada futura... E nem todos os passos nos conduzem a ela.
© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.3.13 | Sem comentários
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