— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Terça-feira da quarta semana


— Evangelho segundo João 5, 1-3a.5-16

Naquele tempo, por ocasião de uma festa dos judeus, Jesus subiu a Jerusalém. Existe em Jerusalém, junto à porta das ovelhas, uma piscina, chamada, em hebraico, Betsatá, que tem cinco pórticos. Ali jazia um grande número de enfermos, cegos, coxos e paralíticos. Estava ali também um homem, enfermo havia trinta e oito anos. Ao vê-lo deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, Jesus perguntou-lhe: «Queres ser curado?» O enfermo respondeu-Lhe: «Senhor, não tenho ninguém que me introduza na piscina, quando a água é agitada; enquanto eu vou, outro desce antes de mim». Disse-lhe Jesus: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda». No mesmo instante o homem ficou são, tomou a sua enxerga e começou a caminhar. Ora aquele dia era sábado. Diziam os judeus àquele que tinha sido curado: «Hoje é sábado: não podes levar a tua enxerga». Mas ele respondeu-lhes: «Aquele que me curou disse-me: ‘Toma a tua enxerga e anda’». Perguntaram-lhe então: «Quem é que te disse: ‘Toma a tua enxerga e anda’». Mas o homem que tinha sido curado não sabia quem era, porque Jesus tinha-Se afastado da multidão que estava naquele local. Mais tarde, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: «Agora estás são. Não voltes a pecar, para que não te suceda coisa pior». O homem foi então dizer aos judeus que era Jesus quem o tinha curado. Desde então os judeus começaram a perseguir Jesus, por fazer isto num dia de sábado.

— «Senhor, não tenho ninguém que me introduza na piscina, 

      quando a água é agitada; enquanto eu vou, outro desce antes de mim»

A leitura de João está relaciona com a água. Com uma piscina onde aconteciam curas, chamada Betsatá. O importante no relato é a transposição que se faz da água para Jesus Cristo. Não é a água que cura o paralítico, é a palavra do próprio Jesus. A água que cura é o próprio Jesus. Ele é quem diz ao paralítico: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda». Foi uma palavra de salvação: «o homem ficou são, tomou a sua enxerga e começou a caminhar». Há que sublinhar esta «personalização» que se faz da imagem da água como elemento purificador e capaz de curar. A água que nos salva é o próprio Jesus.
O dia da cura do paralítico é importante no relato: um sábado. O descanso sabático proibia qualquer trabalho, até transportar a enxerga. Acusado de pecado, o paralítico não tem outro remédio senão referir o mandato de Jesus (que nem sequer conhecia).
É o próprio Jesus, que tomou a iniciativa de curar aquele homem, que agora toma também a iniciativa do encontro: «Agora estás são. Não voltes a pecar». Pelo testemunho do paralítico, os judeus chegam a saber que foi Jesus quem o tinha curado. E a acusação de transgressor desencadeia a atitude contra Jesus: «Desde então os judeus começaram a perseguir Jesus, por fazer isto num dia de sábado». Que contraste entre a estreiteza e a amplitude de visão!

— Sinais para o caminho de fé

  • As mediações salvadoras (a água era uma delas) são assumidas na única mediação de Jesus. Ele é o mediador da nossa salvação. A nossa fé insiste que a única medição de Jesus é a única que pode salvar-nos. Nas mediações, que são os sacramentos, é Jesus Cristo quem atua
  • Mas continuamos necessitados das dimensões visíveis da única mediação de Cristo que é invisível. Os sacramentos são momentos privilegiados da união do visível com o invisível. Somente a abertura às duas dimensões nos fará ter uma vida sacramentalmente madura.
  • Para «afinar» a relação da nossa fé com certas práticas religiosas, é interessante ver como a observância externa do sábado (a proibição de trabalhar) conduz a situações desconcertantes: o pobre paralítico, feliz porque o sábado foi o dia da sua cura, é considerado transgressor por transportar a sua enxerga; Jesus, que lhe deu a saúde, é apelidado de transgressor, porque «trabalhou» ao sábado. A que ponto de cegueira chegar quando ficamos no exterior, fruto das tradições humanas!
© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.3.13 | Sem comentários
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