— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Sábado da segunda semana


— Evangelho segundo Lucas 15, 1-3.11-32

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Certo homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a túnica mais bela e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

— «Quando o pai o viu: encheu-se de compaixão 

      e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos»

Talvez agora compreendamos melhor o porquê de muitos entendidos no evangelho de Lucas nos peçam que, ao texto de hoje, não chamemos «parábola do filho pródigo», mas «parábola do pai misericordioso». Assim é, com efeito. O centro da parábola não é o filho que se perdeu, mas o amor do Pai que o abraça.
Interessante o contexto em que Lucas situa a parábola: o acolhimento de Jesus aos publicanos e aos pecadores: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Uma prova excelente de acolhimento é a mesa partilhada. Com a parábola do pai misericordioso, Jesus está a dar-lhes a resposta: acolhe os pecadores, porque o Pai também os acolhe. E Ele veio para fazer a vontade do Pai.
A parábola é tão bem conhecida que não é preciso comentar muito. Somente alguns pontos: os filhos daquele pai são dois: «Um homem tinha dois filhos». A situação de cada um é diferente: o mais velho foi sempre cumpridor; o mais novo é o que se afasta e se perde. Através da narração, o mais velho revela-se como filho cumpridor, mas não vive como filho; o mais novo, como aquele que renunciou à condição de filho, mas recuperou-a nos braços do pai.
A deterioração do filho mais novo é grave. O afastamento começa a doer. E assim dá-se a decisão: «Vou ter com meu pai». Misturada com motivações, talvez demasiado utilitaristas, mas no fundo, com uma convicção: «estava melhor junto do pai».

— Sinais para o caminho de fé

  • O perdão envolve a fé com a atmosfera que lhe é própria: a gratuitidade. A fé é um dom de Deus; é uma graça. É como dom e como graça que a temos de viver. Não é uma conquista que conseguimos à nossa custa. 
  • Quanto mais perdão recebido, mais consciência da gratuidade; e quanto mais consciência de gratuitidade mais abertura à fé.
  • Que grande verdade a afirmação de João Paulo II: «a fé não se impõe; propõe-se».
  • No âmbito da gratuitidade do perdão, a fé converte-se numa proposta permanente. Daí outra bela frase de Bento XVI: «convertemo-nos por atração e não por imposição». Quem nos atrai é o Pai. O seu amor incondicional. 
  • Purificar a imagem de Deus a partir destas indicações bíblicas é absolutamente necessário para ter uma fé simples, mas madura.
© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.3.13 | Sem comentários
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