Nihil Obstat — blog de Martín Gelabert Ballester 


Já temos novo Bispo de Roma. Já temos novo Papa. O facto de ter sido tão rápido pode ser sinal de que o Colégio Cardinalício não estava assim tão dividido como se dizia. Em qualquer caso, haverá que estar atento às suas intervenções para perceber qual vai ser a linha do seu governo. Porque o Papa é valorizado, antes de tudo, pela sua maneira de governar a Igreja. É possível que este Papa nos faça alguma surpresa (surpresa foi a convocação de um Concílio por João XXIII ou a renúncia de Bento XVI). Mas, em todo o caso, não se espere que aconteçam nos primeiros dias. As mudanças na Igreja são lentas. O Papa precisará de algum tempo para ter um ideia precisa da atual situação. 
Não foi escolhido um dos candidatos mais nomeados como «papáveis» à entrada do Conclave. Mas aquele que dizem ter sido o mais votado depois de Bento XVI no anterior Conclave. Trata-se de um jesuíta argentino. A mim, parece-me uma excelente notícia o facto de ser um religioso latino-americano, com uma postura aberta. Tem 77 anos, é já um Papa idoso, mas isso não é o importante. É muito mais que tenha sido um Bispo próximo do seu povo. Se o nome indica uma identidade, o nome de Francisco oferece muito boas sensações. Seja a pobreza de Francisco de Assis ou a grande tarefa missionária de Francisco Xavier.
Ao novo Papa é esperada uma importante tarefa no interior da Igreja e uma não menos importante para o exterior. Para dentro, convém continuar com a limpeza começada por Bento XVI. Seja qual for o alcance da corrupção, escândalos e ambições, a Cúria precisa de uma séria reforma que a coloque mais em sintonia com o Evangelho que ela deve servir. Tudo o que parece impróprio deste serviço eclesial deve ser expurgado. Por outro lado, a Igreja tem uma grave responsabilidade que vai muito para além dos assuntos internos, a saber: anunciar com valentia e de forma credível o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, tornar presente o Reino de Deus num mundo muitas vezes hostil a tudo o que representa e exige o Reino. A Igreja deve deixar de olhar para si mesma (embora para isso tenha de começar por colocar em ordem a sua própria casa), para se ocupar e se preocupar de um mundo em que há muitos pobres, que têm fome de pão e de justiça e muitas outras pessoas que procuram um sentido para a vida. Oxalá que o novo Papa nos estimule a percorrer este caminho!

© Martín Gelabert Ballester, OP
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Martín Gelabert Ballester, frade dominicano, nasceu em Manacor (Ilhas Baleares) e reside em Valencia (Espanha). É autor do blogue «Nihil Obstat» (em espanhol), que trata de questões religiosas, teológicas e eclesiais. Pretende ser um espaço de reflexão e diálogo. O autor dedica o seu tempo à pregação e ao ensino da teologia, especialmente antropologia teológica e teologia fundamental. 

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.3.13 | Sem comentários
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