— ANO C — QUARESMA — TERCEIRO DOMINGO — 

— Evangelho segundo Lucas 13, 1-9

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

— Notas exegéticas

Na secção central do seu evangelho (9, 51 — 19, 29), Lucas recolhe uma ampla e variada antologia de ensinamentos de Jesus, que os exegetas costumam chamar «o caminho para Jerusalém». Em todos estes capítulos destaca a figura de Jesus em viagem para Jerusalém, o seu destino final. Centrado na necessidade de conversão, o evangelho de hoje (13, 1-9) contém duas unidades literárias: uma reflexão a propósito de uns acontecimentos recentes (versículos 1 a 5) e a parábola da figueira que não dá fruto (versículos 6 a 9).
Chega a notícia de que Pilatos mandou matar uns galileus enquanto estavam a oferecer sacrifícios no templo, seguramente aquando da festa da Páscoa. Um dos muitos atos de repressão contra o povo subjugado, talvez porque as autoridades romanas tinham suspeitas de desacatos. Pouco antes tinha acontecido outro infortúnio: uma torre no bairro de Siloé tinha-se desmoronado causando dezoito mortos. A reflexão de Jesus vai em duas direções. Por um lado, desautoriza uma ideia muito comum no seu tempo: a de que as desgraças pessoais são um castigo de Deus por um pecado pessoal concreto (cf. João 9, 2.34). Por outro, aproveita o impacto que a notícia causou entre os presentes para inculcar a ideia de que todos estamos em situação de pecado e, por conseguinte, necessitados de conversão.
O núcleo da parábola da figueira estéril (a figueira, como a vinha, era símbolo de Israel) é o diálogo entre o dono da vinha e o vinhateiro paciente. Entre o Pai (o dono) e o vinhateiro (Jesus) estabelece-se uma relação de intercessão pelo povo indiferente e árido (a figueira). O mediador não quer que o seu trabalho de «três anos» seja inútil e, por isso, roga ao Pai que espere mais um ano, para que a árvore finalmente frutifique. Certamente que a última frase («se não der, mandá-la-ás cortar») nos deixa intranquilos. Conclusão final: converter-se significa dar fruto.

© Nuria Calduch Benages (Misa dominical — www.cpl.es —)
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.3.13 | Sem comentários
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